Desabafos...

Tanta coisa acontecendo…

Bom… esse post vai pra dividir alguns fatos tristes e as questoes que tem sido levantadas sobre eles em sites e blogs judaicos ao redor do mundo…

Primeiro uma questao extremamente triste que foi levantada apos a morte de Faigy Meyer, uma jovem que tirou a propria vida saltando do 20º andar de um predio em Manhattan… Faigy tinha problemas emocionais que foram agravados apos deixar o grupo hassidico ao qual pertencia. Muitos dizem que a falta de entendimento, a solidao e o sentimento de “corte” social e familiar que muitos enfrentam ao deixar grupos hassidicos contribuiram para o stress emocional da jovem.

Nunca saberemos realmente o que levou esta jovem a tirar a propria vida.

O Rabino Aryeh Goldman escreveu no blog Beyond Teshuva um post muito tocante, o qual traduzo parcialmente:

“Faigy my heart doesn’t just ache for you…I cry for all the other lost princess and princes who in their search become so lost that they rather surrender then persist. I cry that a community that I love chose to abandon rather then understand you.

We need to find a way forward. We need to ask some hard questions and talk openly to find the answers. The truth is that there is a growing number of our youth that are opting out and we need to ask ourselves why? I don’t pretend to have the answers but I cannot bare the agony of another lost princess choosing to surrender rather then live.

To all the other lost princesses and princes out there my heart is open and my prayers are that our ever patient G-d grant you the time and means to heal the wounds and reconnect in a meaningful and inspired way.”

(TRADUCAO LIVRE)

Faigy, meu coracao nao chora soh por voce… Eu choro por todas as princesas e principes que em sua busca (por respostas) se perdem a tal ponto que acabam por desistir em vez de resistir. Eu choro porque a comunidade que eu amo escolheu te abandonar em vez de te entender.

(…) Precisamos perguntar algumas perguntas duras e falar abertamente para encontrar respostas. A verdade eh que ha um numero crescente de nossos jovens que estao escolhendo sair da vida religiosa e nos perguntamos, por que? Eu nao tenho respostas mas ao mesmo tempo, eu nao posso suportar a agonia de ver outra princesa perdida escolher por desistir em vez da viver.

Para todos os principes e princesas perdidas lah fora, meu coracao estah aberto e minhas oracoes sao para que o nosso paciente D-us te abencoe com o tempo e meios necessarios para curar suas feridas e te re-conectar a Ele de uma maneira significativa e inspiradora.

(FIM DA TRADUCAO LIVRE)

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Outro fato que estah sendo amplamente discutido em jornais e blogs judaicos foram os infelizes ataques terroristas cometidos por judeus radicais contra arabes e contra judeus… um bebe arabe e uma adolescente judia morreram em tais ataques… ambos mortos por judeus radicais… judeus que nao aparentam ter o minimo desejo de fazer teshuva… um bebe e uma adolescente de 16 anos…

O que sentir ao ler este tipo de noticias?

Como ler tais noticias sem um noh no estomago? Sem sentir confusao? Sem levar a mao a boca? Sem respirar fundo a procura de uma resposta, mesmo sabendo que esta nao virah?

Nao sei o que dizer.

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E por ai vai… essas ultimas semanas tem trazido noticias negativas que me afetaram bastante. Eu sei que os jornais vivem de noticias negativas e no dia que o mundo se tornar um lugar melhor, os jornalistas ficarao desempregados, mas… sei lah… nunca tinha ouvido falar de Faigy Meyer, mas… acho que sua morte foi a gota d’agua p/ o reinicio de discussoes sobre pessoas que sao cortadas de suas comunidades de maneira brusca…

Um amigo (posso falar sobre o caso pq vcs jamais o conhecerao) diz que foi expulso de sua yeshiva porque deixava a camisa p/ fora da calca…era um otimo estudante, timido, judeu exemplar mas… nao gostava de colocar a camisa dentro da calca porque se achava acima do peso… e foi expulso…

Dai ha varios e varios casos de pais que recebem cartas de ameaca das escolas judaicas onde seus filhos estudam porque (as razoes me parecem tao ridiculas que eh dificil de digitar) as maes estao dirigindo carros, as maes nao estao raspando os cabelos (alguns grupos hassidicos exigem que mulheres casadas raspem os cabelos…), teve ateh um grupo que disse que vai expulsar os filhos da escola se o pai daquela familia TRABALHAR!!! Veja bem… se o pai arrumar um emprego em vez de aprender Torah o dia inteiro, o filho eh expulso da escola…

Sei lah… ver este tipo de noticia (nao eh fofoca, nao se preocupem, sao noticias de jornais israelense e blogs judaicos americanos) me faz respirar fundo.

E nem vou comecar a falar dos casos de jovens serem expulsos de suas comunidades porque denunciaram abusos sexuais que sofreram... esse final de Julho e inicio de Agosto trouxe muuuuitos casos desse tipo... alguns foram a julgamento, outros foram soh denunciados... olha... eh de cortar o coracao.

Eu nao tenho filhos. Se eu disser que posso imaginar a dor de um casal que tem seu filho expulso de uma escola por causa de um motivo superficial (dirigir, vestir roupas coloridas, usar saia cigana etc.), um motivo que nao tem nada a ver com seu yidishkeit (vida baseada em valores e etica judaicos) ou yiras Shamayin (temor dos Ceus), eu estaria mentindo. Nao consigo imaginar o que esses pais sofrem.

Mas… se eu forcar bastante a imaginacao, posso visualizar as lagrimas de uma mae e o rosto preocupado (e possiveis lagrimas de frustracao) de um pai que receberam a carta de expulsao de seu filho. Filho que pode ser uma futura Feigy Meyer devido ao sentimento de exclusao, injustica, depressao e vergonha causados pela expulsao injusta... nao falo somente do suicidio fisico, mas do espiritual tambem pois... a dor de serem excluidos eh tao grande que mata parte de suas almas... alguns fingem ser religiosos em vida adulta, outros saem do derech completament, outros se tornam "modernos"... sao tantas as historias... mas todas elas possuem o mesmo denominador comum: a humilhacao que estas criancas expulsas injustamente sofreram ficam em seus coracoes por toda sua vida.

Voltando ao caso de Faigy Meyer, suicidio eh um topico tao pesado em comunidades religiosas que eh quase um tabu… ninguem (quase ninguem, p/ ser especifica) quer falar a respeito… discutir… entender…

Suicidio, depressao, problemas mentais… tres elementos que ficam debaixo do tapete e soh saem de lah quando eh tarde demais.

A morte de Faigy Meyer trouxe esses topicos de volta a mesa de discussoes… mas logo, logo, ninguem mais vai falar a respeito… e tudo voltarah a ser como antes.

Quantas Faigy Meyers serao necessarias ateh pararmos de tapar o sol com a peneira e discutirmos estes assuntos abertamente?

Quantos membros de nossas comunidades vao a psicologos nao-judeus para nao serem “descobertos” e terem suas chances de shiduch arruinadas?

Quantas criancas sao excluidas de nossas comunidades porque os pais nao agem de acordo com as exigencias de seus lideres? E muitas vezes (p/ nao falar a maioria das vezes) a exclusao se dah por motivos bobos… coisas superficiais… como um sapato colorido em vez de um preto…

Ouco muito sobre isso onde moro “deveriam ter um meio-termo (rabinos mais flexiveis) por aqui”, “ha tantos jovens frums (religiosos de nascimento) usando drogas ultimamente”, “fulano e sicrano foram pegos com garotas”, “meu marido quer ir a Uman, mas estou com medo depois do que li nos jornais (sorry breslovers, mas ha muita coisa nao casher acontecendo em Uman...)”, “por que todo judeu com problema na justica estah indo pra Israel, em massa?”, “fulano vai fazer alyiah, serah que ele tah com problema na policia?”, "fulano filho de sicrano tentou suicidio, mas a familia tah escondendo pq tem medo de que isso afete os shiduchim das filhas" etc, etc, etc…

Ouco, ouco, ouco e fico calada porque nao tenho respostas.

Pq acabo ouvindo tantas historias?

Porque sou convertida, dai nao ofereco risco algum. Melhor explicando: judeus que nasceram em lares religiosos se preocupam em serem julgados por outros judeus religiosos se “pensarem diferente”… se voce nao eh judeu, eh dificil de explicar isso… mas se voce eh frum de nascimento, entao vc sabe exatamente do que estou falando.

Dai, como eu sou convertida, automaticamente fica entendido que eu nao irei julga-los (some a isso o fato de eu ter uma personalidade bem flexivel e positiva), independente do que me digam…ai acabo virando um tipo de ‘confessionario’ involuntario… convido alguem pra tomar um cha, e acabo ouvindo confissoes que jamais fariam a outros “ouvidos judaicos”…

Bom… eh a vida, fazer o que?

Bom… acho que jah te deixei depressivo(a) o suficiente por hoje, certo?

Mas precisava falar sobre esse assunto em minha lingua, em meu idioma.

Para assuntos que tocam o coracao, como a morte de Faigy Meyer e as questoes que sua morte levantou e os atentados recentes que mataram um bebe e uma adolescente, tive que me expressar em minha lingua materna.

Tentei conversar com meu marido, mas… nao eh a mesma coisa… ha certos momentos que soh conseguimos tocar o “q” da questao se falarmos em nosso proprio idioma.

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