Resenha do Livro Ascamot (Leis) da Sinagoga E & P de Londres

 

Resenha do Livro Ascamot, or, Laws and regulations of the Congregation of Spanish and Portuguese Jews, entitled Sha'ar ha-Shamayin, London, por Esther Goldberger.

 

Para quem não me conhece, meu blog é informal. Não sou historiadora e muito menos escritora profissional, mas acredito na importância de informar.  Meu blog é pioneiro em trazer aos brazukas informação de como funciona o judaísmo no exterior. Se hoje em dia há brasileiros discutindo os rumos da Rabanut, falando de batei din de conversão ortodoxa em vários países do mundo, falando mais abertamente das várias camadas da ortodoxia e de grupos judaicos em geral é porque aprenderam tais informações neste blog que escrevo desde 2015. Só falo isso porque há uma galera tomando muitos créditos das informações que eu traduzo aqui sem citar a fonte, as vezes até mesmo copiam descaradamente o texto do meu blog e postam em suas páginas como se fossem eles que escreveram.  No comments.

 

Ok, agora vamos falar um pouco de História.

 

NOTA IMPORTANTE 1: Originalmente, esta sinagoga era conhecida como Kehal Shaar Hashamayin, sendo fundada em 1656 em uma casa localizada na rua Creechurch Lane, em Londres. Em 1699 a comunidade comprou um terreno localizado na rua Bevis Marks, onde construiu um novo edifício. Inaugurada em 1701, hoje ela é é conhecida apenas como Bevis Marks Synagogue. Você pode ler mais da história desta comunidade aqui: https://www.sephardi.org.uk/history/ e aqui: https://en.wikipedia.org/wiki/Bevis_Marks_Synagogue

 

Informações muito interessantes sobre o início da Bevis Marks, como lista de Rabinos que lideraram a comunidade, podem ser encontradas neste site: 

https://www.jewishgen.org/jcr-uk/London/city_bevis/index.htm

 

Com os poderes atribuídos a mim pela lenda conhecida como Paintbrush, trago a vocês um mapinha de onde era a sinagoga (Creechurch) e onde ela é hoje (Bevis Marks). 

 

 

NOTA IMPORTANTE 2: este livro foi escrito em 1819. Hoje, 200 anos depois, ele serve apenas como referência. A Bevis Marks atualiza suas ascamot (regras) sempre que julga necessário para atender o crescimento e ordem da comunidade.

 

Pra mim, o mais FASCINANTE desse livro de 1819 são os detalhes administrativos, tão bem escritos, que nos abrem uma janela para o passado, onde vemos como os judeus e&p pensavam, agiam e se comportavam. Eram extremamente organizados, metódicos e exigentes. Isso nos ajuda a entender não só a fundação da Bevis Marks, mas a mentalidade e&p como um todo. 

 

NOTA IMPORTANTE 3: Há várias edições deste livro na Amazon, você pode adquirir uma cópia clicando aqui

O Sr. Alex Tigre fez a gentileza de contactar a Universidade da Califórnia, perguntando se há alguma edição em PDF do livro e eles lhe responderam.

 

Obrigada Sr. Alex por ter dividido conosco o link que a Universidade lhe concedeu: 

http://bit.ly/askamot_esnoga_shaar_hashamayin

 

As bibliotecas que pertencem a Universidade da Califórnia possuem mais de 35 milhões de documentos (livros, cartas, pesquisas, documentos diversos etc). Este livro da Shaar e mais centenas de milhares de outros documentos podem ser encontrados na biblioteca virtual da universidade: www.hathitrust.org ou encomendados pelo site www.bookprep.com

 

 


GRAMÁTICA

Não existiam leis gramaticais estritas quando o livro foi escrito, então as vezes encontramos palavras portuguesas escritas de forma "diferente" do que escrevemos hoje. Isso é importante para pesquisadores, pois em alguns documentos uma pessoa é chamada de Atias, no outro a mesma pessoa ela pode ser descrita como Atyas, Athyas ou Athias... segundo o historiador Daniel M. Swetschinski, portugueses da antiguidade tinham uma pronúncia da letra S mais forte do que a pronúncia de hoje, então é comum encontrar a palavra 'miSva' no lugar de miTZva, e Sedaca no lugar de TZedaka, etc.

 

(Como uma nota pessoal, o mesmo acontece com o nome da cidade de Monsei em Nova York. Todo mundo fala MonTZei... Montzei isso, Montzei aquilo, mas na hora de escrever, é com S e não com TZ. Menciono isso porque Monsei possui uma imensa comunidade judaica religiosa.)

 

Há outras palavras neste livro que são escritas de uma forma diferentes das regras gramaticais que temos hoje:

 

Shar Ashamaim: Shaar Hashamayin (nome original da sinagoga, que pode ser traduzido como Portal do Céu)

Sedaca ou sedaka: tzedaka (caridade)

Yahid: Yehudi (Judeu)

Yehidim: Yehudim (Judeus)

Bethaim (Beth Haim): Casa da Vida, nome do cemitério da comunidade

Mahamad (Maamad): conselho administrativo da sinagoga

Misva: Mitzva (mandamento)

Rosh Ashana (Rosh Hashaná): Ano Novo judaico

Kaal: Kahal (neste livro, a palavra kahal é usada para descrever o conjunto de membros que compõem a sinagoga. Mas em outros livros, o kahal pode ser o conselho administrativo)

Hebra: Chevra Kadisha

 

É importante mencionar esta falta de regras gramaticais escritas, porque vejo muita gente querendo pronunciar exatamente o que estão lendo quando se trata de judaísmo espano-português, quando na realidade, chances são de que nem os judeus espano-portugueses da antiguidade falavam desta maneira como alguns querem falar hoje... eles podiam escrever "errado", mas falavam certo porque além de ler, muitos também falavam hebraico. ("errado" entre aspas, porque como disse acima, não existiam regras gramaticais rígidas, então de uma certa maneira, no GERAL, tudo na escrita era considerado certo).

 

Outra coisa que notei é que em nenhum momento eles se descrevem como Sefaraditas. Se descrevem somente como Yehidim (Judeus), Yahid (Judeu) e Judeus Espanhóis e Portugueses.

 

Deixo claro que como não pertenço a esta sinagoga, não estou familiarizada com certos procedimentos da administração de comunidades e&p. Os termos maamad, 'finta' e anciões da congregação não existem em comunidades ashkenazitas (a linha do Judaísmo que eu sigo), sendo assim eu ficaria agradecida se alguém me corrigir caso eu escreva abaixo alguma informação incorreta. Meu e-mail é vpjudaica@gmail.com

 

 

 

VAMOS AO LIVRO

O foco do livro não são halachot, mas a organização da vida da sinagoga, pelo âmbito administrativo, a fim de se manter a ordem da mesma. (eu amo isso!)

 

Composto de 132 páginas, o livro é dividido em duas seções, a primeira, Ascamot of Yehidim (Leis/Regras para os Judeus) possui dois capítulos e trata de leis para os membros da comunidade. A segunda, Ascamot of the Elders (Leis/Regras para os Anciãos) possui 33 capítulos e trata de regras dirigidas aos líderes da sinagoga, para que estes a administrem com o cuidado necessário e instruam os demais participantes.

 

Noto que um tema repetido no livro traz a idéia de proteger a comunidade de influências externas, assim como vigiar bem quem pedia para fazer parte dela. Talvez isso se dê devido a queda no número de membros registrada entre 1800 e 1841. Em 1800 possuíam 242 membros e em 1841, 192.

 

Havia entre 2000 e 4000 judeus sefaraditas em Londres no início do século 19.

 

 

Capítulo 1 - ASCAMOT of YEHIDIM

Union of the Congregation

Citam a fundação da comunidade em 1656 e já promulgam a primeira lei: a fim de preservar a união do presente e futuro da  comunidade, fica decidido que nenhuma sinagoga deve ser aberta com menos de de 6 milhas (aprox. 9km) da Bevis Marks. Deixam claro que a decisão pode ser revogada através de votação. Qualquer judeu que abrisde uma nova sinagoga, desrespeitando a Ascamá (regra) seria considerado um violador (rebelde) e:

 

.será excluído da lista de Yehidim, 

.pagará multas (no plural mesmo) conforme a gravidade da ofensa

.retirada de qualquer direito como membro da sinagoga (auxílio hospitalar, bolsas de educação infantil etc.)

.não será enterrado na Carreira (área do cemitério judaico que pertence a esta sinagoga) do Bethaim  (Bet Haim, cemitério).

 

Também deixa claro que nenhum Yahid ou Congregante (eu não sei qual a diferença técnica entre um e outro) ficam proibidos de se juntarem para fazer um minyan (10 homens para rezar) em residências, a não ser que tenham permissão da Mahamad. Qualquer um que quebre esta regra pagará multa de 10 Libras, que será encaminhada a Sedaca. Qualquer Yahid ou Congregante que ficar doente e não puder comparecer a Rosh Ashana e Kipur, e quiser ter as rezas feitas na casa dele, tem que pedir permissão a Mahamad, contanto que todas as despesas (taxa de membros etc) sejam pagas ao Gabay  (homem responsável pelo andamento do que acontece dentro da sinagoga, um tipo de organizador) da Sedaca (obras assistenciais).

 

NOTA PESSOAL: achei muitíssimo interessante esta regra. Na verdade, muitas sinagogas de hoje em dia estão a beira da falência porque seus membros decidiram fazer shtibuls (yidish para "sinagogas informais") em algum cômodo de suas casas. Eles trazem um Sefer Torá, todo mundo sabe rezar... então simplesmente se reúnem nesta casa para as rezas em vez de ir a sinagoga. Em certos bairros, onde há muitos shtibuls, as sinagogas sofrem pois ninguém vê a necessidade de pagar a taxa anual de membros... e aí... não as siangogas não conseguem pagar as contas porque não possuem membros o suficiente... Sendo essa a abertura do livro da Shaar (Bevis Marks), me mostra que o problema dos shtibuls é bem mais antigo do que eu pensava. 

 

 

Capítulo 2 - Instituição da Finta

Finta é como chamam neste livro o valor anual de despesas da sinagoga.

 

Sinagogas não cobram dízimos, como é visto em igrejas, mas ao mesmo tempo, elas precisam ter suas despesas pagas. Para isso, todas as sinagogas do mundo cobram  anuidade dos membros. Ninguém força a pessoa a pagar, o pagamento é voluntário e só paga quem pode. Mas... há bastante pressão para que paguemos, pois se ninguém pagar, a sinagoga literalmente fecha as portas. Quem não pode pagar o valor completo da anuidade, paga uma certa porcentagem dela e em casos mais urgentes, a pessoa não paga nada. Não há nenhuma represália sobre pessoas que não pagam, quem não paga continua frequentando a sinagoga da mesma forma de quem pagou. 

 

Este capítulo do livro reforça a importância da Finta que de 600 libras em 5498 pulou para 1400 libras em 5569.  

 

Os Anciões da Nação (descrito no livro Elders of the Nation) devem discutir se haverá alteração no valor da Finta a cada dois anos, tomando em consideração a decisão da Mahamad e dez Fintadores, para finalmente levar o novo valor para uma reunião com os Yehidim da congregação. Cada Yahid deveria contribuir para a Finta, de forma individual, com o máximo de 40 libras e valor mínimo de 20 libras  para garantir o funcionamento da sinagoga. Não fica claro se mulheres estavam inclusas no pagamento da Finta ou se o valor corresponde por homens casados ou se inclui adultos solteiros.

 

Cada Yahid que deixasse temporariamente o país ficaria isento de pagar a Finta do ano que estaria ausente. E cada novo Yahid que quiser se tornar membro da sinagoga deveria ser entrevistado pelo Mahamad e seus Adjuntos (auxiliares) e pelos que elegem Parnassim (mínimo sete) até a decisão ser tomada. 

 

O capítulo termina citando que quem fugir da responsabilidade de pagar a Finta deve ser considerado como que se cometesse a ofensa de retirar dinheiro do pobre. O dinheiro da Finta era usado não só para manutenção da sinagoga, mas para auxiliar os pobres com escola, despesas hospitalares e funerárias, dotes de casamento e qualquer outra necessidade.

 

 

ASCAMOT OF THE ELDERS (Regras dos Anciãos)

Eleição dos Parnassim e Gabay do Kaal (Kahal)

 

A partir deste capítulo, o livro trata de forma muito detalhada sobre eleições, exigências e procedimentos para eleição de seus líderes. Em nenhum momento o cargo do Rabino (Haham) é citado, já que ele tinha aúnica posição imutável do kahal. 

 

Hoje em dia, a maioria das sinagogas contratam Rabinos através de CONTRATOS de trabalho que podem valer entre 2, 3 ou até mesmo 5 anos. Se a comunidade estiver feliz com o trabalho prestado, ela renova o contrato. Se ela não estiver feliz, não renova e outro Rabino será procurado para ocupar a posição. O Rabino também fica livre de ao término do contrato, ser contratado por uma sinagoga maior ou mais estável. Tempos modernos...

 

Mas não era assim em 1819, quando este livro de Ascamot foi escrito, então as regras para eleição de parnassim, gabay, membros da maamad, anciãos e adjuntos eram bem detalhadas e o emprego do Rabino, estável.

 

Para concorrer ao cargo de Parnas e Gabay, a sinagoga deixa claro que só podem ser eleitos homens que tenham sido Yahid por no mínimo dois anos (convertidos por no mínimo 2 anos), ter idade igual ou superior a 25 anos para o cargo de Gabay e 35 para o de Parnas. 

 

Os membros da Mahamad não podem ser parentes para evitar conflitos de interesses. O capítulo continua com mais regras para as eleições de Parnas e Gabay.

 

 

Regulamentos a respeito da Finta e Eleição de Fintadores

Este capítulo toca novamente na maior preocupação do conselho administrativo: como manter o funcionamento da sinagoga. No caso deste livro, a palavra Finta é a usada para designar o valor de arrecadação anual necessária para manutenção da sinagoga e distribuição de  tzedaka.

 

Descrevem novamente o valor de 1400 libras que está fixado como a finta e descreve mais detalhes de como alterações de futuras fintas devem ser decididas, junto a eleição de 15 Fintadores, que eu suponho, pela descrição contida no livro que seriam tesoureiros. Os 15 Fintadores devem (página 8) se dividir em três grupos e cada grupo faria uma lista de avaliações, depois se reuniriam e decidiriam como a renda da sinagoga seria aplicada.

 

 

Admissão de Yehidim

Vou traduzir o primeiro parágrafo deste capítulo para não falarem que eu inventei:

"Já que um dos principais pontos em que depende a prosperidade desta Congregação, é a seleção de Yehidim, grande cuidado e consideração devem ser tomados quanto a pessoas que serão admitidas em nosso meio, e para isso,"

 

.só o Concelho de Anciões possuem a autoridade de admitir (aceitar) pessoas como Yehidim. Todos os judeus espanhóis, portugueses ou descendentes destes, que estão na congregação por um mínimo de 12 meses são elegíveis a aceitação. O mesmo vale para pessoas vindas de outros países que mantinham a tradição deles, assim como para homens que se casariam com filhas de Yahid.

 

.só pessoas acima da idade de 21 anos poderiam passar pelo processo de avaliação para se tornarem Yehidim, exceto mulheres casadas (que se casaram com menos de 21 anos)

 

.a pessoa só seria aceita como Yahid se dois terços da Mahamad votasse em seu favor

 

. todos os concorrentes a Yahid deveriam se comprometer em cumprir todas as Ascamot

 

Algumas leis seguem quanto aos Anciões e tals, até que vem essa:

 

. caso um Yahid se converta a outra religião ou que quebre o Shabat em PÚBLICO, esta pessoa deve ser IMEDIATAMENTE excluída da lista de Yehidim, contanto que os Anciões estejam convencidos dos fatos. O mesmo vale para Yehidim que foram condenados por fraude ou qualquer outra ofensa criminosa, esta pessoa seria imediatamente excluída da congregação.

 

 

Os capítulos subsequentes lidam com:

 

Regulamentos da Finta (valor de manutenção anual) para a Bethaim (Beth Haim, nome do cemitério) e demais regras de compra de túmulos e cuidados diversos;  

 

Reuniões e obrigações da Mahamad e do  Conselho de Anciões 

 

Sobre o Presidente da Sinagoga

 

Eleições dos Noivos de Ley (um pouco antes do feriado de Simcha Torá, a sinagoga elegia dois homens para serem honrados com leituras especiais da Torá durante a celebração do feriado, um era chamado o Hatan (Noivo da) Torá e o outro Hatan (Noivo do Sefer) Bereshit)

 

Eleição de hazanim (cantores congregacionais)

 

Eleição do Haham e Bethdin - o Hacham (sábio) é como os judeus espano portugueses chamavam seu líder espiritual. O nome hacham é equivalente ao de Rabino, na maioria das vezes em que ele é empregado.

 

O livro segue com mais e mais regras até chegar nesta que achei interessante, já que é válida até hoje para TODO o povo judeu (traduzirei ao pé da letra):

 

"Proibição contra fazer Prosélitos, contra Casamentos Clandestinos e Casamentos com Pessoas de Outras Crenças

 

1. É expressamente proibido para todos os Yahid ou Congregantes deste Kaal a persuadir qualquer pessoa de outra religião para que ela mude para a nossa, circuncidar ou banhar (banho ritual = mikva) ou participar/auxiliar na circuncisão ou banho (ritual) desta pessoa."

 

As regras seguem sobre estes assuntos e eu enfatizo: Judaísmo NÃO é uma religião proselitista. Judeus honestos NÃO colocam dúvidas na cabeça das pessoas, tentando convencê-las a largarem suas crenças para abraçarem o Judaísmo. Isso é errado e quem age assim o faz com segundas intenções, na maioria das vezes, financeira. O Judaísmo não exige em nenhum momento que uma pessoa deixe sua crença para servir a Deus. O Talmud nos ensina que até mesmo idólatras iam ao Templo de Jerusalém fazer oferendas de GRATIDÃO a Hashem e depois voltavam para suas terras e suas crenças. 

 

Se alguém quiser se aproximar do Judaísmo de livre e espontânea vontade, que o faça. Se alguem está feliz em sua própria religião, que continue feliz. 

 

Quanto a casamentos com pessoas de outras crenças, na ortodoxia acreditamos que filhos de casamentos mistos tendem a se distanciar cada vez mais do Judaísmo com o passar das gerações e isso eliminaria o Judaísmo da face da Terra. Desta maneira, pessoas  não judias que se casam com pessoas judias devem se converter ao Judaísmo para garantir a existência do Judaísmo no futuro, através de seus filhos, netos, bisnetos etc.

 

 

Abaixo, fotos dos tópicos tratados no livro:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ESCOLA PARA MULHERES

A sinagoga possuiu um doador importante chamado Isaac da Costa Villa Real que "deu durante o tempo de sua vida recursos financeiros para o estabelecimento de uma escola para instrução de meninas, as filhas de Yehidim ou Congregantes indigentes deste Kaal, que foi estabelecida no ano de 5490 (1729)".

 

Achei isso muito interessante. Sara Schnirer, uma costureira, fundou a primeira escola judaica para meninas, a Beth Yaakov, em 1917 na cidade de Krakow, na Polônia e mesmo com aprovação de grandes rabinos como o Chofetz Chaim e Belzer Rebbe, o início da educação judaica feminina foi muito complicado devido ao alto nível de assimilação encontrado entre as jovens judias da época. Mas Baruch Hashem deu tudo e hoje temos Beit Yaakovs no mundo inteiro. 

 

Agora saber através deste livro que o mesmo foi feito em Londres  quase 200 anos antes da abertura da primeira escola Beth Yaakov, ou seja, que a educação feminina era  considerada tão importante para esses  judeus espano-portugueses é um fato que realmente me alegra. 

 

 

 

SEDACA

Tzedaka é um tema abordado do início ao fim do livro. Capítulo após capítulo a importância de ajudar os pobres, órfãos, doentes, membros da comunidade que estão passando por dificuldades, escolas religiosas, etc etc etc é mencionado. Tzedaka, tzedaka, tzedaka. Em resumo, o objetivo do livro é manter uma comunidade organizada para que ela possa dar tzedaka generosamente a quem precisa. 

 

Devido a isso, entendo o contínuo sucesso desta sinagoga: Organização e tzedaka. Kol hakavod. 

 

 

 

Bom, espero que tenham gostado. Em breve, uma resenha da minha segunda leitura do ano: Reluctant Cosmopolitans - The Portuguese Jews of Seventeenth-Century Amsterdam

 

 

Kol tuv,

 

 

 

Esther

Please reload

Posts Destacados

A Review Completa de Nada Ortodoxa

May 22, 2020

1/10
Please reload

Procure por Tags
Please reload

© 2015 por Vida Pratica.