Porque Reclamei do ventura

Na sexta-feira, 26/07/19, fiz uma série de reclamações sobre o ventura, exibindo um trecho de um vídeo onde ele diz que Rabinos da Polônia que não aceitam seus “anussim” (entre aspas porque nem todos que se dizem ser, realmente o são) deveriam voltar para Auschwitz para que sentissem o cheiro das cinzas dos que ali foram mortos.


No mesmo vídeo ele disse que judeus sírios deveriam votar para a Síria e russos, para a Rússia, e (mais uma vez, de forma burra, para o horror de qualquer fonoaudiólogo) reclama de judeus estrangeiros que moram no Brasil e possuem sotaque, esquecendo-se que o mesmo fenômeno acontece com qualquer pessoa que se muda para outro país.


Neste link você pode ver o vídeo dele completo, a parte que ele se mostra xenófobo, faz comentários antissemitas e banaliza o Holocausto, deixando claro que àqueles que não aprovam suas medidas deveriam ser enviados ao maior campo de morte da história da humanidade, Auschwitz, para sentir o cheiro das cinzas de seus antepassados. Trecho do vídeo a partir de 1h57m:


https://www.facebook.com/sinagogasemfronteiras/videos/2430775010478072/




Há tanta coisa errada nesse vídeo... mas me ative somente a parte xenófoba e antissemita, que gera e aumenta o ódio da população não judia contra judeus brasileiros. NADA justifica desejar que pessoas VOLTEM a Auschwitz. Nada. O fato de que indivíduos isolados não gostem de minha pessoa, não aprovem minhas atitudes e não me aceitem em suas comunidades não justifica mencionar o Holocausto desta maneira desrespeitosa, barata e sádica, mandando que muitos ali voltem para sentir o cheiro das cinzas de seus antepassados. Não passo a mão na cabeça de uma parcela da comunidade judaica paulistana, pois há muita coisa que precisa ser corrigida na mesma, mas NADA justifica o que ventura disse em público, ensinando os seus seguidores a repetirem suas frases, com desrespeito e ódio.


A quem não sabe o que é XENOFOBIA: “A xenofobia é o nome que utilizamos em referência ao sentimento de hostilidade e ódio manifestado contra pessoas por elas serem estrangeiras (ou por serem enxergadas como estrangeiras).” https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/xenofobia.html


 

Meu ato repentino, de ter feito um post reclamando dessa menção a Auschwitz na minha página de FB Vida Prática Judaica, causou contra-indicações: assustou amigos que cultivei nestes 4 anos de blog, assim como deixou pessoas que são novas na minha página, ou que a acompanham em silêncio, confusas.




Por quê fiz isso? O primeiro motivo foi banal, fiz apenas para dar ao feiticeiro o gosto de seu próprio veneno. Uma pessoa me mandou a seguinte foto postada abaixo, aí eu pensei "caracas...o cara já amanhece plantando discórdia, vou dar ao feiticeiro um pouco de seu próprio veneno":


Na sexta-feira - 26/07/19, às 7:55 da manhã, ventura postou isso:


Eu queria saber o que o cantor breslov Nissim acharia de ter a foto dele exposta num post tão contrário ao que ele, Nissim, acredita e ensina.


Em uma pura e simples manifestação de ódio, ele dá a ideia de que há "alguém" ou "líderes da cúpula" que ele tanto reclama indo atrás dos "anussim", perturbando-os.


Na verdade ninguem vai atrás dos anussim dele. Não há nenhuma carta de rabino nenhum do Brasil (ou do exterior) dirigida a nenhuma comunidade anussita, desejando seu fechamento ou destruição. Comunidades que existiam há décadas continuam existindo. A tal "cúpula" não ajuda, mas também não fecha nenhuma comunidade anussita.


Aí, como sempre, ventura parte pra tática de jogar alguém em baixo do ônibus para que ele possa ser visto como único justo e benevolente do universo.


Nesse caso, acusa a comunidade judaica - como um todo - de acobertar "dos que estupram seus próprios filhos e torturam crianças". Sorry? Quantos pedófilos culpados de incesto ele está mencionando exatamente? A impressão que ele dá ao mundo é que a comunidade judaica está infestada deles, quando na VERDADE (pois tenho 99,9% de certeza que ele se refere a um caso que saiu num site em espanhol recentemente) a acusação dele se refere a UM único caso, que corre sobre segredo de Justiça porque ainda está sob INVESTIGAÇÃO. Então não sei exatamente o que ventura espera que a comunidade judaica brasileira faça com um acusado que ainda não recebeu julgamento. Se a Justiça brasileira o condenar, o caso se tornará de conhecimento público e o acusado sofrerá as consequências previstas por lei.


Aí ele parte pra fanfic de que alguém lhe enviou um "recado"...em primeiro lugar, se tal "recado" existiu mesmo (pois pode ser mentira/exagero dele, o tal "opositor" LIGOU diretamente pro ventura? Ou será que alguém, uma terceira pessoa contou ao ventura tal "recado"? E como saber se essa terceira pessoa não mentiu ou exagerou?) e foi transmitido de forma privada ao ventura, tal recado (que não trará nada de construtivo a ninguém e se torna apenas uma mensagem com propósito de aumentar a discórdia) halachicamente não deveria ser transmitida ao PÚBLICO NÃO JUDEU, pois ela cria e aumenta o ódio contra judeus, o que ele fez é chamado no Judaísmo de RECHILUT.


RECHILUT: informar a um indivíduo de algo negativo que outra pessoa disse ou fez, causando adversidade entre quem ouve e a pessoa que falou, ou fere a integridade da pessoa que falou. Em resumo: uma fofoca com único objetivo de causar o mal estar entre todas as partes, sem nenhum propósito construtivo.


E no final escreveu que os lacaios "destes srs." (quais senhores, exatamente?) fariam posts e vídeos sobre o "amor a diversidade"...esse linguajar me lembrou qdo ventura e attar tiraram fotos juntos, abraçados como irmãos na Av. Paulista e attar escreveu que quem reclamasse do fato de terem feito as pazes, era anti-semita. A amizade entre os dois não durou mais que algumas semanas.


Essas táticas de manipulação barata intimidam e controlam inocentes que ainda caem nestes truques.


Se algum "lacaio", que é quem ele chama a outros judeus que fazem vídeo sobre amor e diversidade se manifestou, disso eu não sei.



Aí, pra dar-lhe um gosto do que ele faz a outras pessoas, fiz meu post às 11:21 da manhã, com o trecho do vídeo do ventura mandando judeus de volta de onde vieram:





O segundo motivo que me levou a fazer tal post, foi para deixar definitivamente claro a todas as pessoas que eu totalmente desaprovo a lenta e constante doutrinação de ódio que ventura faz aos membros do “movimento anussita”, que ele pensa liderar, contra a comunidade judaica brasileira.


Nas próprias palavras dele (cujo print tenho) "quem vive de propaganda não compra briga", um argumento inválido já que ele não vende seu produto para o público que critica, ou seja, o público judeu.


Criticar é uma coisa, doutrinar é outra. E o que ele faz é doutrinação, lenta e constante, que perigosamente afeta a mente de alguns. As duas primeiras mensagens foram deixadas em minha página por seguidores do ventura e a terceira, na página dele anos atrás, que trago a atenção agora em 2019, pois foi a primeira vez que vi do que um discurso de ódio é capaz.




Mas isso que você está fazendo, Esther, não é lashon hará? Não. As regras de shemirat ha’lashon escritas pelo Chofetz Chaim são, em resumo: a intenção das palavras ditas contra outra pessoa é o que as define se são lashon hara ou se se enquadram na mitzva de denunciar o errado A FIM DE SALVAR o inocente que seria, se não fosse advertido, prejudicado.


Espero que todos comprem o livro Sefer Chofetz Chaim um dia para aprender TODOS os detalhes do falar, e assim parem de ser manipulados.


Em resumo: lashon hara é quando uma pessoa faz um comentário maldoso que não possui objetivo algum a não ser o de denegrir gratuitamente a outrem, possuindo objetivo malicioso ou de destruição movida por sentimentos negativos.


Admoestar/denunciar é criticar com o propósito de salvar alguém de uma situação ruim.


Por exemplo, se alguém sabe que um criminoso comprovado se hospedará na casa de um conhecido, é um dever da pessoa avisar o conhecido a fim de salvar os moradores daquele lar.


No caso do ventura, ele faz quase que diariamente rechilut (fica levando fofocas ao seu público com o único propósito de causar ou aumentar intrigas entre os "anussim" e comunidade judaica oficial), faz lashon hara da comunidade, faz motzi shem ra (calúnia/difamação) em PÚBLICO sobre pessoas vivas, sobre um Erudito da Torá que faleceu a anos (só esse quesito já colocaria o ventura na posição de apikorus, herege, que deve ser denunciado), sobre organizações judaicas e possui o apoio da esposa (segundo Chofetz Chaim, uma segunda pessoa que afirma publicamente o que a primeira disse dando-lhe credibilidade as acusações feitas) e é um baalei machloket (um homem que causa a discórdia/disputa) com ideias negativas, colocando uns contra os outros.


"O Shulchan Aruch (Yore Dea 243: 3) declara que aquele que zomba das mitsvot e não tem medo do céu - ele é comparado ao povo mais leve da congregação em relação a todos os assuntos. A Bracha Shiurei amplifica ainda mais essa decisão. Ele afirma que “um estudioso da Torá como este que tem na mão Chillul Hashem - uma profanação do Nome de D'us - é um assunto muito sério. O público aprende com seu exemplo para baratear as Mitsvós na Torá. Ele é considerado tanto um pecador quanto alguém que faz com que os outros pequem ”. O Birchei Yoseph (Yore Deah 243: 3) citando as regras de Zkain Aharon (32) em relação a qualquer Talmid Chochom que tenha em mãos Chillul Hashem - uma profanação do Nome de D´us - é proibido ouvir as palavras da Torá de sua boca, e não se pode confiar em suas decisões. O Vilna Gaon (Dn 243: 9) explica a respeito da decisão do Shulchan Aruch sobre alguém que faz um escárnio da Torá que é porque ele não é considerado dentro da categoria de “E todos os Seus santos”. A questão é, no entanto, quais são os parâmetros de uma profanação do Nome de G-D versus a de simplesmente cair? O Radbaz (Volume VI Responsa # 2078) parece indicar que o fator determinante é se foi feito publicamente ou não."(https://www.theyeshivaworld.com/news/general/1772565/when-a-rabbi-falls-a-halachic-analysis.html)


Tais atitudes da parte do casal ventura prejudicou imensamente várias pessoas, já causou intriga e dividiu algumas comunidades anussitas. O que acontece quando as câmeras estão desligadas é bem mais revelador do que quando elas estão ativas.


Se um movimento depende da difamação, mentiras e exposição de inocentes para crescer...qual o futuro disso?


Permito que o casal ventura não goste de mim, mas não permito de forma alguma que mintam usando minha imagem e difamem, caluniem e façam injúria contra minha pessoa a fim de se auto-promoverem.


RESULTADO DO MEU POST?

Mulher do ventura, jacqueline, mandou as comunidades de WhatsApp de seus seguidores denunciarem minha página, a fim de derrubá-la:



Cuidado jacqueline, pq na hora do vamos ver, ventura pode te jogar pra 'debaixo do ônibus' se você continuar fazendo o trabalho sujo dele, por ele. Se ele quiser convocar vassalos para derrubar minha página, deixe que ele mesmo dê as ordens.


Isso aumenta muito mais minha suspeita de quem é o responsável pela queda de uma outra página que trata de Judaísmo, quando o dono da mesma anunciou que visitaria o Brasil a fim de dar palestras…


E após pedirem para derrubar minha página, obviamente ventura MENTE mais uma vez...e irei desmascarar essa imensa mentira dele ainda nesse post.




O maior defeito do mentiroso é a MEMÓRIA CURTA que o leva a inconsistência de informações. Como mostrarei abaixo, ano passado ventura disse que eu queria ser assistente dele e ele não me aceitou, esse ano ele já me promoveu duas vezes, para orientadora a fim de substituir a mulher dele (orientadora do QUÊ exatamente? o que mais me admira é que ninguém pergunta, povo parece não pensar) e depois para, nas palavras dele, primeira-dama do "movimento" (essa última mentira dele judicialmente cai sobre a categoria de difamação) ...daqui a pouco ele vai dizer que eu coloquei um chapéu preto e me candidatei a Moshiach para tomar o lugar dele...



Deixo claro que Andrew Anglin, dono do jornal neo-nazi Daily Stormer foi condenado a pagar 14 milhões de dólares duas semanas atrás por convocar seus seguidores a fazer trolagem (provocações de todos os níveis) na página de Facebook de uma judia chamada Tanya Gersh.


O neo-nazi escreveu em seu jornal: “Are y’all ready for an old fashioned Troll Storm?” “Because AYO — it’s that time, fam.” (TRADUÇÃO: Vocês estão prontos para um bom e velho Troll Storm (tempestade de trolagem)? Porque eu estou, essa é a hora, amigos).


As condenações de crimes virtuais no Brasil são muito menores que nos EUA, mas… elas existem. Mandar seguidores invadirem, trolarem e derrubarem páginas alheias é um crime virtual. Crimes virtuais que envolvem o Facebook recebem uma pena maior do que os feitos em outras mídias, isso é uma lei que vigora no Brasil.


E é sabido que ventura em seus momentos de paranóia manda publicamente seus seguidores mandarem a ele qualquer print de qualquer mídia social que mencione o nome dele, mesmo que sejam conversas secretas entre amigos. Não sei se essa perseguição se enquadra em crime virtual, mas seria interessante se se enquadrasse.


Seguidores do ventura apareceram na minha página e muitos deixaram suas provocações e repetições das calúnias que o ventura faz. Não os culpo, apenas repetem o que ouvem dele.


ventura tentou se justificar, entrando em minha página e deixando comentários mentirosos e difamatórios. Foi banido imediatamente. Tudo foi devidamente “printado”.


Não apaguei nenhum dos comentários de seus seguidores e os deixei visíveis por mais de duas semanas, assim qualquer pessoa de bom sendo pôde conferir a mentalidade violenta de algumas destas pessoas.


Porém, um Rabino a quem muito respeito me contactou e disse que seria apropriado que eu apagasse meus posts, ele disse que entendia minha intenção, mas que pelo bem maior, eu deveria considerar a ideia de colocar uma pedra sobre este assunto.


Conselho seguido e acabei de apagar os posts que fiz.


Antes da história toda, um esclarecimento sobre minhas conversões ao Judaísmo:

Antes de contar como conheci o casal ventura e por que me distanciei deles, há um outro assunto que devo esclarecer.

Em vídeos passados, ventura se dirige a minha pessoa de uma forma difamatória, e como sabe que está agindo errado, ele, como um covarde, não fala meu nome explicitamente. Não faz isso só contra mim, mas a outros também. Mas quanto a mim, ele costuma inventar suposições absurdas “e se ela tivesse 5 filhos”, “e se ela fosse isso e aquilo” (tenho trechos de vídeos gravados e usarei se for preciso).


Eu não sei o que uma pessoa que depende financeiramente do comércio de conversões (ainda é pago ao r amsalem U$300 por cada uma que ele faz? O correto não seria pagar-lhe SOMENTE o valor das passagens ao Brasil?) ganha ao falar mal de uma pessoa que se converteu ao Judaísmo, graças a ajuda dos Céus e dos esforços de seu próprio trabalho.


Para parar com esse mundo de ficção que ele tem colocado na cabeça de muitos a meu respeito, eu conto exatamente como foi minha conversão ao Judaísmo:


No ano de 2004, quando decidi me converter ao Judaísmo aos meus 27 anos de idade, fui na internet e encontrei o telefone da sinagoga do R. Henry Sobel, a quem devo eterna gratidão por ter aberto a primeira porta do Judaísmo que eu almejava. Eu liguei, falei com a secretária dele, uma mulher extremamente educada chamada Bernadette e lhe disse que gostaria de marcar uma reunião para tratar de conversão.


Ela marcou uma data e eu fui na data e horário marcados. Simples assim.


Chegando lá, havia um grupo de pessoas a serem entrevistadas e ao chegar minha vez, contei-lhe meus motivos. Ele disse que eu deveria pensar e pediu que eu marcasse uma outra entrevista para depois de alguns meses.


Marquei com a secretária e voltei lá alguns meses depois e repeti minhas razões.


Após a conversa, ele disse que eu poderia verificar com a secretária quando se iniciaria uma turma para o curso de conversão e que o mesmo teria duração aproximada de 1 ano e meio.


Simples, não?


Em 2004 as coisas eram mais simples. Num nível pessoal, essa conversão mexeu com cada nervo meu, de minha família e amigos…foi uma grande e sofrida mudança de perspectiva religiosa (eu fui criada entre Batistas desde os 5 anos de idade). Mas… isso não vem ao caso agora.


Quando terminei o curso, continuei frequentando a sinagoga assiduamente (de forma muito discreta, eu chegava, sentava, rezava e ia embora, sem importunar ninguém) e embora agradecida, decidi de vez que gostaria de levar uma vida ortodoxa.


Com o tempo, conheci o Abraham, que veio a ser meu marido dois anos depois, e ele (agora em 2006) me apresentou a uma amiga dele, americana, que havia estudado em uma midrashá voltada para alunas que falam inglês, situada em Jerusalém.


Contactei a midrashá através de e-mail, e a mesma me pediu uma carta de recomendação de um rabino que acompanhou este meu primeiro processo de conversão. Liguei para a sinagoga, e a secretária marcou a reunião para tratar da carta, agora com o professor do curso, R. Yehuda Busquila, z”l.


No dia e hora marcados, contei a R. Busquila meus planos, ele perguntou se era isso mesmo que eu queria, eu disse que sim e ele me desejou boa sorte e assinou a carta.


Encaminhei a carta a midrashá no mesmo dia.


Quando fui aceita, eu tinha algumas opções: como eu agora tinha 29 anos, eu poderia me inscrever em um programa de bolsa de estudo concedido pelo governo israelense… mas isso demoraria alguns meses… ou poderia fazer alyiah… mas isso também demoraria no mínimo 1 ano...


Então, decidi não esperar por ninguém e fui a midrasha por conta própria, com as economias que eu tinha (eu era secretária bilíngue na época) e ajuda do Abraham. Sem bolsa de estudo e sem alyiah, e solicitei a midrashá que me guiasse a tirar o visto de estudante a fim de morar em Israel legalmente.


Ao chegar em Israel, a midrashá emitiu os documentos necessários e me encaminhou para um escritório do Ministério do Interior, onde consegui visto de estudante que me deu a capacidade de residir em Israel legalmente por 1 ano. E então, estudei muito (estudos em tempo integral, de domingo a quinta-feira, das 8:30am as 5pm) e concluí meu gyiur ortodoxo.


Falo isso para que vocês saibam que essa história de “e se ela tivesse 5 filhos e cobrassem dela 200 mil dólares para se converter…” é só uma balela, uma alucinação.


E vocês não tem ideia do quão engraçados soam ao falar de uma “uma família cuja conversão custaria 200 mil dólares”… isso não existe… em primeiro lugar, uma família brasileira que gostaria de se mudar para Israel a fim de realizar uma conversão ao Judaísmo pela Rabanut, teria que morar LEGALMENTE no país por aproximadamente 1 ano.


Para morar legalmente no país, seria necessário que essa família (o casal) tivesse visto de estudante ou visto de trabalho.


A família em questão, que ventura diz aos 4 ventos que gastaria 200 mil dólares, já tem o visto de estudante ou de trabalho ou está pensando em se mudar para Israel ilegalmente?


Yeshivot e midrashot não negam o ensino da Torá por dinheiro, e estudam cada caso de uma forma cuidadosa a fim de promover opções de pagamento (em alguns casos, o estudante se compromete a trabalhar na instituição de ensino e pagar seu estudo com trabalho), descontos diversos e acima de tudo, PROVIDÊNCIA DIVINA.


A Rabanut só abre processos de conversão de indivíduos que estejam morando legalmente no país.


Dependendo do setor, o salário mínimo em Israel pode chegar a U$2.500 por mês (aprox. 8000 shekalim), se o trabalhador adicionar algumas horas extras.... em média, a maioria das pessoas que eu conheço, que são cidadãos americanos, ganham uma média de 14 mil shekalim mensais, que são aprox. U$3500.


Vamos supor que um casal ganhe uma renda conjunta de US$6000, são US$ 72.000 por ano…


Para se gastar U$200.000,00 em uma conversão (uau…como isso soa ridículo) o casal em questão deveria ter um salário MUITO MAIOR do que a média ganha pelo cidadão israelense.


Ou seja, conversão de U$200k é fanfic. Mentira.


Quando pessoas que residem LEGALMENTE em Israel se inscrevem para uma conversão supervisionada por um beit din da Rabanut, a conversão dura entre 6 meses e 1 ano.


Tudo depende do nível de conhecimento haláchico (teoria e prática) do candidato. O beit din da Rabanut é financiado pelo governo israelense (todos os rabinos funcionários da Rabanut recebem seu salário do governo) e por isso, os serviços prestados pelo beit din de conversão da Rabanut são gratuitos.


Os gastos de uma conversão em Israel se resumem a passagens, alimentação, vestimenta e estadia do candidato (Ex.: Mensalidade completa na yeshiva Machom Meir, sem descontos e sem bolsa de estudos, Com ensino em tempo integral e dormitório sai por - US$850 ao mês - https://meirtv.com/en/page/learn-live-connect).


O valor mensal de uma yeshiva ou midrashá varia bastante e muitas vezes pode ser negociado ou o candidato pode prestar serviços na instituição para ter algum valor descontado. Por diversas vezes eu trabalhei na limpeza da midrashá onde estudei a fim de acumular pontos (o sistema que usavam) que seriam revertidos em desconto na mensalidade.


Para uma conversão em Israel feita por um beit din ortodoxo independente (o de Bnei Brak, por exemplo), o local de estudo e o tempo de estudo é estabelecido pelo Rabino sponsor do candidato. É possível (porém hoje em dia, acredito ser mais difícil) que um candidato estude no Brasil, supervisionado por um Rabino brasileiro e vá a Israel apenas para encontrar o beit din, em uma viagem que duraria alguns dias apenas. Ou o rabino que supervisiona o candidato pode pedir para que o mesmo passe alguns meses em uma instituição de ensino religioso em Israel, antes de encontrar o beit din.


Na diáspora, países que possuem batei din ortodoxos da Rabanut ou RCA (Rabbinical Council of America), o período do curso de conversão é de no mímino 2 anos. O primeiro ano é dedicado ao ensino teórico e o segundo, o prático. Em Israel dura menos tempo porque o candidato está cercado de Judaísmo por todos os lados. Nenhum beit din, seja liberal ou ortodoxo concorda em converter pessoas casadas (ou seriamente comprometidas), cujo cônjuge ou futuro cônjuge não queira se converter, como explico no post abaixo:

https://www.vidapraticajudaica.com/single-post/2016/12/26/Quero-Me-Converter-Mas-Meu-Conjuge-Nao-quer-E-Agora


Aconselho também que o possível candidato se auto-avalie a fim de saber se está psicologicamente preparado para os desafios que virão:

https://www.vidapraticajudaica.com/single-post/2017/12/27/Avalia%C3%A7%C3%A3o-Psicol%C3%B3gica-Para-Convers%C3%A3o-ao-Juda%C3%ADsmo

Site para que vocês vejam o que seria, de forma aproximada, o custo de vida em Israel:

https://www.numbeo.com/cost-of-living/country_result.jsp?country=Israel


Em resumo, um israelense médio ganha cerca de U$30 mil a U$40 mil dólares por ANO. A tal "conversão de "U$200 mil dólares" não passa de fruto da imaginação do ventura.


E parem de dizer que casei com um "velho rico", o Abraham (que carinhosamente chamo de Abie) ficaria ofendido de ser chamado de velho huahuahauhauaa mas se sentiria lizonjeado de saber que muitos o chamam de rico huahuahua Na verdade meu marido sempre trabalhou com o pai numa lojinha de conveniências (vendia caneta, abajur, vasilhames, panela...lojinha mesmo), e quando o pai decidiu se aposentar (fechar a loja), meu marido ficou sem saber o que fazer...aí ele viu um fio de plástico que é usado pra anexar uma peça de roupa a uma etiqueta e pensou "Quem vende isso pras lojas?", e sem achar a resposta, ele foi a um fornecedor desse plástico, comprou duas sacolas grandonas cheias dele, aí dirigiu até um dos centros comerciais de Montreal e com as sacolas nas mãos, foi de loja em loja oferecer os tais plásticos.


Uma coisa leva a outra, e com o tempo as lojas começaram a perguntar se ele vendia etiquetas (para colocar nos plásticos) e aí ele comprou uma impressora...e com o tempo conseguiu montar a gráfica que possui até hoje, onde ambos trabalhamos muito. Essa foto é de quando nos conhecemos quase 15 anos atrás:




E esse é o plástico (tag fastener, não sei o nome em português) que ele teve a ideia de vender, comprou sacolas cheias disso e saiu vendendo de porta em porta:


Admiro muito a determinação de meu marido, que sempre me inspira.


 

ONDE TUDO COMEÇOU

Conheci o ventura em 2012 na extinta página de Facebook Anussim Brasil. Outra página com o mesmo nome foi criada anos depois.


Até então, quem era o PRECURSOR do ensino de Judaísmo em comunidades anussitas no Nordeste era o Sr. Isaac Essoudry, z"l, que morava em Recife e educava pessoas que se diziam anussitas. Eu não sei quantos alunos ele tinha, mas sei que eram vários.


Eu não conheci o Sr. Isaac, mas fico sempre pensativa com o fato de que estão apagando a história dele, como se ele nunca tivesse existido.


Sr. Isaac Essoudry faleceu poucos anos atrás.


Aprendi sobre a existência de comunidades anussitas que se reuniam há algumas décadas, e ventura não tinha ido a nenhuma delas ainda. A primeira vez que ventura visitou a comunidade anussita de Recife foi no primeiro evento de Purim, o Purimkrível, que nem foi organizado por ele, mas por um respeitável senhor (cujo nome manterei em sigilo, já que não quero envolvê-lo em confusão) que fez grandes doações e até iniciou uma campanha para arrecadação de fundos para compras de passagens pro ventura e demais despesas do evento. Isso foi, se não me falha a memória, em 2014 ou 2015. O evento foi lindo, cheio de simcha autêntica, organizado, respeitoso e muito diferente do que vemos hoje em dia.


As comunidades anussitas se organizavam de forma independente e quando surgia a oportunidade de ajudar alguma, eu o fazia, discretamente, através de pequenas doações aqui e ali ou algum tipo de trabalho voluntário que poderia ser feito a distância.


Por exemplo, ANTES do ventura se envolver com a comunidade de Recife, eles fizeram a Hagadá de Pêssach do Sertão e eu fui uma das voluntárias, fazendo os desenhos de cordel. Essa hagadá envolveu MUITOS voluntários e nenhum deles buscou glória para si. Outra vez precisaram lá em Recife de um desenho de uma chanukiá feita em computador , com medidas exatas, para apresentar a um local a fim de conseguir instalar uma chanukiá grande em frente a Kahal Zur, e mesmo sem falar com a maioria do pessoal, fiz o desenho e me mantive sob o manto da discrição. E assim tenho feito sempre: ajudo aqui e ali, mas ninguém precisa saber. E tenho 100% de certeza que ventura jamais aprovaria a impressão da Hagadá de Pêssach do Sertão se o nome dele não fosse o de mais destaque, na capa do livro...e isso vocês entenderão no decorrer deste post. Essa história que ele ajuda comunidades anussitas a DÉCADAS é novidade para todos, eu gostaria de saber o nome destas comunidades tão antigas que ele acompanhou há tantas décadas e o que exatamente ele fez em cada uma delas...


Como acontece com todas as pessoas que passam a conhecer os “bnei anussim”, a um primeiro momento eu vi somente beleza, determinação, alvos sublimes e justos.


Muito impressionada, passei a conversar com pessoas que se diziam anussitas e cada história me comovia bastante.


O ventura postava na comunidade Anussim Brasil de vez em quando e uma vez alguém postou o link da página pública de Facebook que ele mantinha sob o nome dele, vi, achei legal e lhe escrevi , falando de que minha vida judaica no Brasil não tinha sido muito positiva, que eu sentia uma certa barreira na mitzva de Ahavat Israel (Amar o Povo Judeu) quando lembrava de algumas experiências negativas que passei no Brasil e que estava muito feliz ao vê-lo ser tão legal e me mostrar, me lembrar que há sim judeus legais em SP.


Ele fez outra página depois, chamada Pergunte ao Rabino, onde respondia perguntas enviadas pelos seguidores, de forma escrita ou em vídeos que fazia enquanto dirigia.


Para mim, que estou longe, tudo parecia muito bom e muito normal .


Como minha família, tanto paterna quanto materna, são do Nordeste (Ceará, Recife, Paraíba), passei a me comunicar diretamente com algumas pessoas das tais comunidades anussitas, e desenvolvi um contato mais próximo com uma comunidade no Ceará, já que meus pais são cearenses.


Eu ainda não tinha meu blog, Vida Prática Judaica, o qual criei 3 anos depois, em 2015.


O ventura fazia algumas críticas aos líderes da comunidade judaica de SP, mas as mesmas eram esporádicas e mantinham um nível de racionalidade.


A esposa dele, jacqueline, não apresentava envolvimento direto com nenhuma comunidade anussita e até onde eu me lembre, não postava em grupos de FB dedicados a anussim. Na época, ela fazia trabalhos de atriz e posteriormente, se envolveu com culinária. Vivia a vida dela, digamos assim e dava um apoio mais indireto à “causa”, bem diferente do que é visto hoje.


A coisa começou a mudar quando o ventura foi demitido de seu emprego junto a comunidade paulistana. Ele apresentou várias vezes a versão dele do que causou essa demissão, o que acreditei piamente na época, como qualquer um que ouviu a história acreditou, porém… hoje em dia… depois de ver o número de mentiras, calúnias, injúrias e difamações que ele faz abertamente e em público, eu duvido de cada palavra que foi dita.


Nesta época (meados de 2015), eu já tinha criado meu blog e meu contato com algumas pessoas que se diziam anussitas seguia normalmente.


No facebook, as críticas de ventura contra a comunidade judaica começaram a ficar mais pesadas e mais frequentes, porém ele ainda mantinha um certo decoro e preocupação com a imagem da comunidade como um todo.


E eu, de longe, assim como outros judeus, apoiávamos absolutamente tudo que ele fazia e o defendíamos quando alguém se mostrava contra suas palavras, assim como apoiávamos o crescimento das comunidades, em número, gênero e grau.


Deixo claro qeu eu nunca pedi para que tais comunidades me adicionassem a seus grupos de WhatsApp (cada uma tem um grupo, onde ventura e mulher dele vistoriam tudo). Eu só me comunicava com quem espontaneamente entrava em contato comigo, e só ajudava a quem espontaneamente me pedia ajuda.


Não vou atrás de ninguém, não invado páginas alheias fazendo propagandas da minha, não pago o Facebook para fazer propaganda (fiz uma vez, mas me arrependi, pois achei que se enquadraria em proselitismo), não vou atrás de ninguém. Se alguém encontra minha página, é porquê procurou informações sobre Judaísmo e quis o destino que a pessoa me encontrasse.


Tudo seguia muito bem e meu apoio ao ventura era incondicional, até o dia que R. Amsalem chegou.



Conversando com amigos – judeus e não judeus - que também conhecem ventura de uma forma online ou pessoalmente, todos concordamos em um ponto: algo muito negativo aconteceu na mente dele com a chegada de r Amsalem.



 

r Amsalem Eu não tinha a mínima ideia de quem era r Amsalem.


Um belo dia abro o Facebook e vejo fotos e vídeos de um beit din composto por r Amsalem, R. Chuck Davidson e um senhor sefaradita de vestimenta haredi, que aparentemente tinham convertido mais de 100 pessoas vindas do país inteiro no Nordeste.


Eu conhecia, de forma online, o trabalho de R. Chuck Davidson, já que ele escreve para jornais, mas nunca tinha ouvido falar em amsalem.


Nisso eu tenho que parabenizar o ventura, ele pediu segredo absoluto da chegada deste beit din e seus seguidores obedeceram. Ninguém me falou absolutamente nada! Eu só soube do fato, quando o mesmo foi revelado a todo o país através de mídias sociais.


Deixo claro que considero este primeiro beit din casher, já que foi composto por 2 rabinos ortodoxos e 1 judeu que considero ser ortodoxo (todos são 100% shomer Shabat e mitzvot, o que dá validade a um beit din).


Não me intrometi em absolutamente nada do que foi feito e a vida seguiu adiante até que algumas pessoas que haviam se convertido me contactaram pedindo ajuda. Ajuda em quê?


Ajuda em responder o dor leon attar que tinha conseguido uma carta da Rabanut dizendo que tais conversões não eram válidas para a Rabanut e Estado de Israel, mas que no final, convidavam as pessoas a se converterem pela Rabanut em Israel. attar causou grande angústia nestas pessoas, desespero e muitas lágrimas e ele ainda tem que pedir desculpas por isso.


Essa é uma das cartas que foram espalhadas em mídias sociais, causando grande angústia em inocentes (esta carta tbm foi traduzida e espalhada online):




Eu perguntei que tipo de ajuda eu poderia dar e me disseram “Esther, explica porquê você acha que R amsalem pode fazer conversões”


Eu disse: “Mas eu não sei quem ele é” (como disse, nunca tinha ouvido falar dele)


Me disseram: “Esther, ajuda a gente, a gente também não sabe, o ventura o trouxe aqui dizendo que era um rabino haredi, mas ninguém sabe quem é ele”


Eu: “Vocês se converteram sem saber quem são os rabinos que fizeram parte do beit din???? Sem saber dos riscos e desafios de uma conversão independente??? Sem saber que não seria aceita pelo Estado de Israel (sem direito a alyiah)???? Sem saber que uma conversão feita por rabinos polêmicos acabará correndo o risco de não ser aceita por ninguém?”


E ninguém sabia.


Falei com o ventura, mostrei meu apoio incondicional e disse que poderia ajudar escrevendo um post sobre quem era r amsalem e assim, tentar acalmar as pessoas que tinham se convertido e se encontravam em agonia, devido as provocações de attar e seus seguidores que mais pareciam um bando de jagunços. Li no JusBrasil que alguns deles até foram a um certo restaurante atacar fisicamente um dos opositores do attar na época.


Eu pesquisei a respeito do histórico de r amsalem e fiz o longo post que explicava quem ele era e o que tinha feito até ali, o que trouxe grande conforto para as pessoas que me pediram ajuda. Este post que é espalhado por aí hoje em dia contando a história religiosa de r amsalem foi escrito por minha pessoa, saibam disso.


Foi o Sr. Shlomo Buzaglo, responsável pelo ISAS (Universidade de Netânia) que apresentou o r amsalem ao ventura. O próprio Sr. Buzaglo me informou isso quando visitei a Universidade em junho de 2018.


E repito aqui: r amsalem NÃO é parlamentar. Ele FOI parlamentar até 2009, quando foi desligado do Shas por diferenças ideológicas. Depois disso ele criou o próprio partido (Am Shalem), concorreu por outros partidos e jamais foi eleito. Ele é EX-parlamentar.


Quando R. Abergel demonstrou apoio a "causa", pesquisei o histórico dele e fiz um post para que as pessoas se tranquilizassem. Novamente, meu post trouxe grande conforto para a mente das pessoas.


As críticas do ventura contra seus opositores aumentaram e ficaram mais frequentes, porém, ainda seguiam um certo decoro.


Na prática mesmo, nenhuma autoridade judaica brasileira impediu a chegada de r amsalem e muito menos seus vários retornos ao Brasil, como todos sabem. Ninguém foi a comunidades anussitas que o seguem impedir que fizessem o que fazem.


Se com o tempo, várias dessas comunidades se dividiram, muitas pessoas se distanciaram, algumas pessoas abandonaram por completo, comunidades procuraram ajuda de outros Rabinos ou instituições que apoiam a causa anussita, isso foi de livre e espontânea vontade de quem assim quis fazer.


Pessoas que compõem comunidades anussitas não são propriedade de ninguém, não podem ser tratadas como posse. Se algumas pessoas e comunidades se “rebelaram” depois, por assim dizer, tal “rebelião” foi causada pela insatisfação com ventura e sua esposa, como explicarei abaixo.


Talvez muitos que estão lendo este post não saibam, mas pessoas que se convertem ao Judaísmo não devem absolutamente nada aos sponsors e rabinos envolvidos na conversão. Tais pessoas estão livres para crescer (ou não) dentro de sua vida judaica. Cobranças, exposição, pressão emocional e psicólogica, manipulação de sentimentos de culpa…nenhum Rabino faz isso com as pessoas as quais ele supervisionou a conversão. Uma vez que a pessoa se torna judia, cabe a ela fazer de sua vida o que quiser, e se alguém tem que cobrá-la, esse alguém é Hashem e ninguém mais.


 

PRIMEIRAS RACHADURAS

Após a volta a Israel de r amsalem, R Chuck Davidson e do Sr sefaradita que compôs este primeiro beit din, meu apoio ao “movimento” era total e incondicional.


Porém, com o passar das semanas, eu via uma mudança no comportamento do ventura…o que eram críticas, agora se transformavam em ataques verbais pesados contra a comunidade judaica, alguns ataques regados de chacota dele e esposa, um certo foco em ridicularizar o uso de kissui rosh (cobertura da cabeça para mulheres casadas), como vocês podem ver abaixo a partir dos 51m deste vídeo:

https://www.facebook.com/sinagogasemfronteiras/videos/908151846032834/?q=sinagoga%20sem%20fronteiras%20cobertura%20de%20cabelo


E foi aí que eu comecei a me perguntar para que direção esse movimento estava indo…


Bom, agora que todos que haviam pedido tanto por conversão a haviam conseguido, eu perguntei a algumas pessoas que conhecia “E agora? Estão estudando bastante?” E a resposta era negativa… e eu estranhei porque não havia um sistema organizado de ensino de mitzvot para as pessoas que haviam se convertido.


r amsalem se valeu da premissa de “faremos e ouviremos”: quando a Torá foi entregue no Monte Sinai, o povo respondeu ‘Faremos e ouviremos’, que significa, aceitamos e recebemos suas mitzvot imediatamente e as estudaremos e entenderemos com professores depois. Dentro dessa premissa, r amsalem converteu pessoas que não sabiam nada sobre vida judaica, e tais se comprometiam a aprender depois.


Mas não era isso que estava acontecendo. Na verdade até hoje, 2019, podemos encontrar pessoas que passaram por este primeiro beit din e que ainda não sabem princípios básicos da vida judaica (por exemplo: r amsalem e esposa dele comeriam na casa de uma das centenas de pessoas que ele mesmo converteu? Se a resposta é não, isso é preocupante).


Podem ler o quanto quiserem de sidur transliterado em frente as câmeras e fazer vídeos impressionantes a beira da praia, mas na realidade, quando pessoas me contactam hoje em dia, muitas possuem dúvidas que deveriam ter sido esclarecidas a muito tempo atrás. Com tanto foco em criticar a comunidade judaica, esqueceu-se da importância da educação religiosa aos anussim que haviam se convertido em 2017.


 

Enfim, voltando para o que aconteceu logo depois da volta deste primeiro beit din a Israel, os Yamim Noraim (Grandes Festas/Dias Austeros) estavam chegando e a liderança de uma das comunidades decidiu fazer uma campanha de arrecadação de fundos para finalizar a reforma no prédio comercial que ocupavam e comprar artigos necessários para os serviços religiosos destes primeiros feriados judaicos depois do primeiro beit din de amsalem no Brasil. Muito contente, ao saber de tal campanha, fiz minha doação, assim como outras pessoas fizeram.


Com grande surpresa, dias depois, tomei conhecimento de que ventura não nada ficou feliz com essa iniciativa independente (sem autorização dele) da liderança desta comunidade. Fiquei sem entender o motivo da insatisfação dele, pois cada comunidade sempre foi independente.


A pessoa que havia criado esta campanha, ao ver que seus esforços não iriam adiante, que a comunidade não tinha mais autonomia e que os fundos seriam encaminhados para outros fins (que não eram a compra de materiais para a reforma, mas para pagamento de aluguel), acabou se desgastando e se desligou da mesma.


E ele ainda mentiu a todos que as doações só tinham sido feitas por causa da "atuação" dele, o que não era verdade.


Não, não foi não.


Eu e outra pessoa doamos porque acreditávamos no potencial daquela comunidade, que já era ativa muito antes do ventura "atuar" nela. Em momento algum pensamos em "atuação". Eu não me prontifiquei a fazer minha humilde doação por causa de atuação nenhuma dele, mas porquê aos meus olhos, a razão da campanha era justa. E se em vez de discutirem se o valor arrecadado deveria ser usado para reformas ou pagar o aluguel, bastava terem feito outra campanha e eu teria doado novamente. O uso de meu nome para convencer as pessoas que eu me prontifiquei a doar por causa de "atuação" dele é uma mentira.


Chegaram os Dias Austeros e quando perguntei a esta pessoa que havia criado a campanha como foram os serviços religiosos, a mesma me disse que não tinha sido convidada para participar.


Agora… estamos falando aqui de uma pessoa que há muitos anos se dedicou a comunidade que pertencia de corpo e alma, que ao meu ver, era o cérebro que liderava o pessoal. Não há nenhuma justificativa válida para que tal comunidade, que usufruiu tanto dos serviços desta pessoa, deixassem de convidá-la para os Dias Austeros…as Grandes Festas… fiquei chocada com a falta de humanidade e senso de judaísmo.


“Misteriosamente” TODAS as pessoas desta comunidade que mantinham contato comigo "sumiram". Nem mais um “oi”. Eu notei, mas nada falei e nem procurei ninguém, fiquei somente a observar.


Mas Hashem tudo vê… com a saída de tal pessoa da liderança, e comunidade começou a se esvanecer, contendas começaram a surgir e acabaram perdendo o tal prédio.