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Chá de bebê no Judaísmo. Pode?

 

Antes de falar o que acontece na prática, tenho que explicar como a superstição é vista no Judaísmo.

 

Na prática, independente se você gosta desta idéia ou não, judeus seguem muitas superstições.

 

Algumas são frutos de tradições familiares, outras de ensinos religiosos, algumas foram copiadas de culturas vizinhas e há aquelas que foram criadas pela própria mente de um indivíduo qualquer.

 

O fato é: superstição é uma coisa que une todos os grupos judaicos. Não importa se o judeu é ashkenazita, sefaradita, mizrahi, homem, mulher, haredi, dati, liberal…todos possuem suas superstições.

 

As superstições para evitar o ayin hara (mau-olhado) são as mais populares. O portador do ayin hara é uma pessoa temida, é alguém que fica angustiado ou com raiva do sucesso de outra pessoa, e deseja a destruição do motivo de felicidade do outro. No Brasil, este seria o invejoso de carteirinha carimbada. 

 

Sendo que não dá pra saber quem é o portador de ayin hará e quem não é, o Judaísmo ensina que para evitar mau-olhado devemos agir de forma recatada, modesta, sem chamar muita atenção. Como aprendemos do Talmud, “a bênção repousa apenas naquilo que está oculto aos olhos” (Taanit 8b).

 

 

 

 

Ayin Hará, o Mau Olhado

O conceito de ayin hará é mencionado várias vezes no Talmud (Bava Metzia 107a, Yoma 22b, Bava Batra 2b, Pesachim 110b), na halacha (não chamar pai e filho consecutivamente para a leitura da Torá, por exemplo) e de uma certa forma, até mesmo na Torá (não cobiçar o que é do próximo). 

 

Na prática, é óbvio que judeus dos século 21 são menos supersticiosos que os do passado. Com o avanço da ciência (imagina como era a vida de quem não sabia que micróbios e bactérias existiam), a evolução do pensamento racional e a chegada de mídias sociais nas comunidades judaicas, as pessoas passaram a mostrar mais publicamente quem são e o que possuem. Mesmo em comunidades judaicas onde a internet não é bem vista, o Instagram reina, acreditem!

 

De todas as superstições encontradas na vida judaica, as que são contra o ayin hará são as que possuem raízes mais profundas. 

 

 


Superstições Que Unem Todas as Tribos
 

De acordo com a halacha, não há nada de errado em fazer um chá de bebê. Porém, a maioria dos judeus, independente se são ortodoxos ou liberais não fazem, devido a superstição de que chá de bebê atrai ayin hara.

 

Trecho que traduzi de um site REFORMISTA, assim vocês vêem que eu não estou exagerando: 

 


O costume (de não fazer chá de bebê) deriva da idéia de que chamar a atenção para uma ocasião feliz também chama a atenção de espíritos malignos. Esse costume também pode remontar a uma época em que a mortalidade infantil era uma preocupação. Embora hoje em dia (o chá de bebê) não seja visto como um  problema e a maioria das pessoas não são muito supersticiosas, muitos judeus ainda chás de bebês luxuosos, preferindo comprar apenas o que precisam ou encomendar itens com antecedência, que serão entregues somente após o nascimento do bebê.” - https://reformjudaism.org/practice/ask-rabbi/it-true-jews-do-not-have-baby-showers

 

 

Se o movimento Reformista encara assim os chás de bebês, imagina o ortodoxo… 

 

 

 

Superstições na Gravidez
Vou explicar o bê-a-bá da SUPERSTIÇÃO durante a gravidez até após o nascimento da criança. O que escreverei abaixo é seguido por um grande número de famílias, mas NÃO significa que todos os judeus do mundo seguem esses passos. Tenhamos bom senso, galera. Superstição NÃO é halacha e cada casal tem a liberdade de vivenciar o período de gestação da forma que eles quiserem.

 

NO GERAL, quando uma judia descobre que está grávida, ela anuncia a gravidez somente para seu marido e familiares próximos, por exemplo, a mãe, as irmãs, a sogra etc.

 

Somente após o terceiro mês (muitas, somente após o quinto mês) é que ela anuncia a gravidez para os amigos do trabalho, sinagoga, bairro etc.

 

A maioria dos casais prefere não saber o sexo do bebê antes do nascimento.

 

Há casais que não compram absolutamente nada para o bebê antes do nascimento. Estes casais não montam um berçário ou quartinho decorado. Só depois que o bebê é nascido é que estes pais fazem a grande maratona nas lojas de artigos infantis.

 

Há casais que compram somente o necessário (assento de carro para o bebê, para quando a mãe e bebê voltarem pra casa do hospital, por exemplo) e alguns objetos que a mãe precisará logo ao sair do hospital, PORÉM deixam estes objetos intactos dentro de suas embalagens e só os abrem DEPOIS do nascimento da criança. 

 

Muitas judias evitam fazer chás de bebê, com medo de que alguém lance mau olhado (ayin hara) e isso possa causar algo de ruim ao bebê ou a mamãe.

 

Muitos casais (na ortodoxia, é um costume comum) não falam para ninguém o nome que escolheram para o bebê. Não falam nem para seus irmãos, sogros, etc. Ninguém. O nome do bebê só é revelado durante a cerimônia de brit milá (para meninos). Quando nasce  uma menina, alguns pais fazem na sinagoga uma cerimônia chamada “nomeação do bebê”, onde o Rabino chama o pai para uma alyiah a Torá (subir para ler a Torá) e abençoa os pais, a criança e revela o nome para quem estiver presente na congregação.

 

Não sei se isso é comum no Brasil ou em Israel, mas aqui na América do Norte, é o que fazem para meninas, aqui chamam tal evento de “baby naming”. Um amigo que segue o blog me escreveu dizendo que em Israel chamam a ocasião de nomear a menina de Zeved Habat” ou “Simchat Bat”

 

 

E o Que Amigos Podem Fazer?????
 

Quando uma amiga judia anuncia sua gravidez, dizemos beshaá tová (alguns escrevem besha´ha tovah), que significa, em boa hora. Essa expressão é usada para alegrar os pais, pois deixa claro que o bebê chegou em um momento propício.

 

Não, não dizemos ‘mazal tov’. Só dizemos ‘mazal tov’ DEPOIS do nascimento do bebê.

 

Depois que o bebê nasce e que dizemos ‘mazal tov’, em comunidades ortodoxas é comum dizer quando encontramos o bebê pela primeira vez ou quando os pais anunciam o nascimento da criança: ‘Que esta criança cresça para a Torá, huppá e bons atos” (kein yikanes l’Torah, l’chuppah ul’ma’asim tovim). Há várias alterações para esta frase... alguns escrevem ou dizem "Que Hashem crie esta criança para...", ou "Que Hashem faça essa criança crescer para..."

 

Nota interessante: na Idade Média, quando nascia uma menina, era comum dizer nas comunidades judaicas europeias "Que ela cresça para uma vida de mitzvot, huppá e para a costura" hahahahaha Saber costurar era motivo de muito orgulho. Não se atreva a dizer isso hoje, colega, pois tal frase em tempos atuais seria vista como uma ofensa danada. 

 

Quando vemos a criança e a elogiamos, ortodoxos geralmente adicionam as palavras bli ayin harah (sem olho-mau), no final da frase.

 

Por exemplo: “Que criança mais linda, que fofura, bli ayin harah!”. Não é problema nenhum se não dissermos, mas na ortodoxia geralmente usa-se essa frase.

 

Em comunidades ashkenazitas, usamos com mais frequência a frase kein ayin hara (a maioria pronuncia knêina hára, e alguns pronunciam káina hára, aí varia de comunidade pra comunidade), que é yidish para 'sem olho-mau'.


 

 

E os Presentes?
No GERAL, procuramos entregar presentes DEPOIS que o bebê nasceu, pois não sabemos se os pais são supersticiosos ou não. 

 

Não é que seja proibido presentear judias grávidas, muitos amigos que não sabem dessas superstições presenteiam gestantes, porém tais amigos devem manter em mente que talvez a judia não abrirá a caixa de presente até após o nascimento do bebê. Sendo assim, não espere ela chegar no dia seguinte “Ei, abri o presente, é tão lindo, obrigada de novo”…porque no caso dela ser supersticiosa…o presente só será aberto depois que ela chegar em casa, com o bebê, do hospital. 


É mais fácil presentear meninos do que meninas… quando nasce um menino e somos convidados para o brit milá, levamos o presente e deixamos com os pais (se não for Shabbat).

 

Caso o brit aconteça no Shabbat, então levamos nosso presente para a residência dos pais e entregamos pessoalmente a quem abrir a porta. O mesmo acontece quando nasce uma menina, como geralmente o “baby naming” acontece no Shabbat, levamos o presente para a casa dos pais.

 

 

 

Pode-se Levar o Presente a Qualquer Hora?
Primeiro, devemos manter em mente que a nova mamãe e seu bebê recém nascido precisam de repouso.

 

Podemos sim levar o presente a qualquer hora do dia, MAS não podemos alimentar expectativas de emendar a entrega do presente a uma visita longa com direito a chá e café.

 

Quando levamos o presente na primeira ou segunda semana após o nascimento do bebê, geralmente entregamos na porta, desejamos mazal tov e vamos embora. Vapt-vupt.

 

Caso os pais insistam em convidar você para dentro de casa, ótimo. Mas se eles não insistirem, vá embora, pois a família precisa de repouso e se organizar com a chegada da criança. E SE VOCÊ ESTIVER GRIPADO(A) OU COM QUALQUER DOENÇA CONTAGIOSA NÃO CHEGUE PERTO DO BEBÊ RECÉM NASCIDO E NEM DOS PAIS DO BEBÊ!!!!!!! Não vá a nenhuma cerimônia religiosa onde o recém nascido esteja. Preferencialmente, até mesmo pessoas sadias não devem tocar o recém nascido. Só quando a mãe do bebê insiste e o traz para o segurarmos, é que o seguramos. NÃO BEIJEM O RECÉM NASCIDO, gente... tenhamos compaixão dessa crianças e mantenhamos nossos germes para nós mesmos, taokei? Kkkkkkkkkkk

 

 


Ok, acho que é isso. Caso você tenha alguma sugestão para este post, meu e-mail é vpjudaica@gmail.com

 

 

 

Besha'ha tová para quem está esperando bebê e mazal tov para quem acabou de ser abençoado com um bebê fofo,

 

 

 


Esther
 

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