Dízimo no Judaísmo: Obrigação de Quem?

 

Muito se tem falado, abusado e deturpado sobre o assunto de dízimo no Brasil e no mundo.

 

As origens deste aspecto JUDAICO de separar uma parte dos ganhos obtidos por uma família durante o ano para (de uma certa forma) devolvê-la a Deus nunca são claramente explicadas às massas, e por isso, pessoas inocentes acabam sofrendo desnecessariamente devido a pressão de seus líderes religiosos e perdendo somas monetárias consideráveis... 

 

Neste post, tentarei explicar em detalhes de onde surgiu a ideia de dízimo, o que é o dízimo dentro do Judaísmo e se hoje em dia, séculos depois da destruição do Segundo Templo, se o dízimo ainda é um aspecto válido da lei judaica ou não. 

 

Por ser um assunto complexo, é preciso ler o post com paciência…pegue uma xícara de chá, respire fundo e vamos lá. 

 

MAASER
Maaser seria a palavra dízimo, em hebraico.

 

O maaser era a décima parte do produto (agrícola) produzido por uma família que era dedicada como uma oferta aos leviim (levitas) e kohanim (sacerdotes, da tribo de Levi).

 

Uma família mais generosa e devota podia trazer mais que 10%, caso quisesse, mas no geral, a maioria trazia 10%.

 

O maaser era então dividido entre leviim e cohanim.

 

 

 

O MAASER ERA COMPOSTO DO QUÊ?

A Torá menciona que o maaser deveria ser compost o de: "grão (TRIGO), vinho e óleo". Portanto, alguns consideram que a mitzvá bíblica se aplica apenas a grãos, uvas e azeitonas. No entanto, outros afirmam que a mitzvá se estende a todas as frutas. Todos concordam que o requisito de dizimar os legumes é apenas rabínico.”

(https://www.chabad.org/library/article_cdo/aid/4266406/jewish/Maaser-Tithing-in-Torah-and-Jewish-Law.htm#footnote4a4266406)

 

 

 

MAASER É TZEDAKAH?
Não exatamente… maaser era um mandamento obrigatório da Torá, era proibido comer alimentos dos quais essa parte não tinha sido separada.


É certo que havia alguns indivíduos que não separavam maaser devido a ganância. Judeus tementes a Deus, ao saber que um judeu ignorante não tinha separado maaser de seus produtos,  não compravam o alimentos vendidos pelo infrator.

 

Tzedakah, por outro lado, é uma questão de responsabilidade social, de JUSTIÇA, COMPORTAMENTO JUSTO. 

 

“No pensamento judaico, dar às pessoas necessitadas não é algo extra; é apenas a coisa correta e honesta a se fazer. Nosso dinheiro não é nosso. Pertence a Deus, que graciosamente nos confiou. É correto distribuí-lo como Ele deseja, compartilhando-o com Seus filhos necessitados.” (https://www.chabad.org/library/article_cdo/aid/4203668/jewish/15-Facts-About-Tzedakah-Every-Jew-Should-Know.htm)

 

 


VOLTANDO AO DÍZIMO
A primeira vez que vemos na Torá o conceito de separar uma parte do que ganhamos para dedicar a Deus, feito de uma forma mais primitiva, é na história de Caim e Abel. 

 

Posteriormente, vemos mais uma vez um tipo de maaser quando o patriarca Abraão, após vencer uma guerra contra 4 reis, dá a décima parte dos despojos que ganhou desta guerra para o sacerdote Melquisedeque (Genesis 14:18-20).

 

Somente em  Genesis 28:18-22 vemos a menção de uma quantia que seria dedicada ao serviço divino, enquanto Yaakov fugia de seu irmão Eisav, ele rezou: “Se Deus estiver comigo (…) e me der pão para comer e roupas para vestir, (...) e tudo o que você me der, darei-lhe um décimo.” 

 

 


MAASER NA LEI JUDAICA
Após o recebimento da Torá no Monte Sinai, onde as leis que regem o Judaísmo foram dadas de forma clara ao povo judeu, o conceito de maaser (dízimo) foi claramente explicado e se tornou uma lei.

 

Só a partir de então judeus aprenderam exatamente o que era o maaser, como ele deveria ser separado e quem poderia usufruir de tal oferta.

 

O maaser (dízimo) era dividido em quatro partes: maaser rishon, terumá maaser, maaser sheni e maaser ani. 

 

 

 

MAASER RISHON – Primeiro Maaser
Maaser rishon eram os 10% de produtos agrícolas colhidos em Israel (grão: trigo - uvas: vinho - azeitonas: azeite de oliva), que cada família judia trazia para os Levitas. 

 

A tribo de Levi não recebeu terra em Israel. A missão dos Levitas era apenas cuidar da manutenção do Mishkan (Tabernáculo ou Tenda da Reunião) e posteriormente, de ambos os Templos.

 

Para cumprir essa tarefa, todo o sustento necessário para manter a tribo de Levi eram providenciados pelas outras tribos.

 

“Aos filhos de Levi, eis que Eu lhes dei todos os dízimos em Israel como herança, em troca do serviço que realizam, o serviço da Tenda da Reunião.” (Numeros 18:21)

 

Sendo assim, cabia a cada família judia que morava em Israel trazer a décima parte de sua colheita para os Levitas.

 

 

 

TERUMÁ GEDOLA (Parte separada para os cohanim)
Quando os levitas recebiam o maaser (10% de produto agrícola), eles separavam 1/50º (um quinquasésimo) do que tinham recebido e o entragava aos KOHANIM.

 

Em poucas palavras, os levitas separavam o maaser do maaser e o entregava aos kohanim. Esse maaser dado aos kohanim recebia o nome de terumat maaser (Números 18:25-32) e é descrito no Talmud como Terumá Gedola.

 

“A sequência apropriada para separar as porções necessárias é que o proprietário (pessoa que oferecerá o dízimo) reservasse primeiro aproximadamente um quinquagésimo da produção para servir de terumá gedola para o Kohen e, em seguida, separasse um décimo do restante da produção como Maaser Rishon para o Levi. 

 

A Torá Deuteronômio 18: 4 refere-se a terumá como "reishit", o primeiro; Êxodo 22:28 "não atrasem seus bikkurim e terumá", proibindo assim o atraso da separação de terumá, que é a primeira separação que deveria ser feita (...). 

 

Por exemplo, se a colheita fosse igual a 100 alqueires e o procedimento normativo fosse seguido, um Kohen receberia primeiro 2% do total da produção (dois alqueires) e um décimo do restante (9,8 alqueires) iria para o Levi.”  (Fonte = Arstscroll)

 

Obs.: a família que já trouxesse a terumá gedola consigo, trazia-a já preparada, ou seja, o trigo já estava moído; isso facilitava o trabalho dos leviim, porque viam o produto já preparado e sabiam que era só entregar aos kohanim. Aos levitas, os judeus traziam o produto na forma bruta, sem preparos.

 

 

 

MAASER SHENI – Segundo Maaser

Após a família ter entregue seu maaser aos levitas e kohanim, a família pegava o restante de seus produtos agrícolas e retiravam um maaser (uma porcentagem do que tinham trazido), que deveria servir de alimento para a família ENQUANTO ESTIVESSEM EM JERUSALÉM. Essa parte que serviria de alimente para a família era chamada de maaser sheni.

 

A família só poderia comer essa porção de maaser sheni em total estado de pureza ritual.

 

Se não fosse possível para uma família fazer a refeição de maaser sheni em Jerusalém (devido a emergências, impureza ritual etc), a família poderia vender a porção que serviria de maaser sheni, pegar o dinheiro e quando fosse possível, iriam para Jerusalém e usariam este dinheiro para comprar alimentos e bebidas para sua refeição, que deveria ser feita em estado de pureza ritual. Isso era um procedimento conhecido como resgate de maaser, que era vender o maasar, mas só usar o dinheiro para finalidade de cumprir a mitzva de maaser. 

 

 

 

MAASER ANI – DÍZIMO PARA OS POBRES
Maaser ani era uma poção da colheita dedicada aos membros mais frágeis da sociedade judaica, que eram órfãos, viúvas e pobres. Era necessário um certo cálculo pra fazer essa mitzvá direito…

 

“No final de cada terceiro ano, você deve trazer o dízimo da sua produção daquele ano e guardá-lo dentro de seus portões. E o levita, porque ele não tem parte ou herança com você, e o estrangeiro, o órfão e a viúva que estão dentro de seus portões, podem vir e comer e se satisfazer, para que o Senhor seu D'us possa abençoá-lo em todos os trabalho da sua mão que você faz” (Deuteronômio 14:28-29)

 

Ou seja: “No terceiro e sexto ano do ciclo de sete anos (judeus só podiam trabalhar a terra durante 6 anos, no sétimo, a terra deveria descansar), maaser ani, o maaser dos pobres, era dado EM VEZ do maaser sheni.

 

Além disso, após o terceiro e o sexto ano, durante Pessach do quarto e do sétimo ano, um processo chamado "biur maasrot" - remoção dos dízimos - ocorreria. Todos os dízimos que não foram distribuídos, comidos ou resgatados nos três anos anteriores eram tratados (comidos ou redimidos). Se, mesmo assim, eles não fossem dados, comidos ou redimidos, os dízimos tinham que ser queimados ou descartados na medida em que não pudessem ser usados ​​de forma alguma. No sétimo ano do ciclo de Shemitah (quando todos os campos são declarados sem dono durante o ano e a terra NÃO é trabalhada, o ano sabático dos campos), nenhuma terumá ou maaser era dado. 

 

O produto do qual precisava ser extraído a terumá e maaser é conhecido como TEVEL, e era proibido comeê-lo ou vendê-lo até que o dízimo fosse consumido.”

(https://www.chabad.org/library/article_cdo/aid/4266406/jewish/Maaser-Tithing-in-Torah-and-Jewish-Law.htm#footnote4a4266406)

 

Pois é… as regras agrícolas para quem morava em Israel eram bem complexas...eu nem vou tentar explicar muito porque sei que vou me perder.  

 

 

EM RESUMO
Como vemos até agora, o conceito de maaser (dízimo) ensinado aos judeus através da Torá correspondia apenas a certos produtos agrícolas PLANTADOS E COLHIDOS EM ISRAEL.

 

 

 

E QUANTO A SACRIFÍCIOS DE ANIMAIS? E QUANTO A CHALAH? 
Isso não era maaser. 


Havia quatro tipos de korbanot (sacrifícios): "o sacrifício onde a carne do animal era consumida pelo fogo (olah), a oferta pelo pecado (chatat), a oferta pela culpa (asham) e a oferta pacífica (shelamim). 

 

Uma oferta de pecado ou culpa seria parcialmente queimada no altar, sendo o restante consumido pelos sacerdotes. Uma oferta de paz seria dividida entre o altar, os sacerdotes e o indivíduo que trouxesse o sacrifício. Outra maneira de categorizar os sacrifícios é baseada no nível de santidade deles. Certos sacrifícios são considerados kodshei kodoshim, sacrifícios de um nível mais alto de santidade. Esses sacrifícios só podiam ser consumidos por kohanim do sexo masculino dentro dos limites do pátio do templo. Outros sacrifícios são chamados kodoshim kalim, sacrifícios de um nível mais baixo de santidade. Esses sacrifícios poderiam ser comidos por qualquer judeu em toda a cidade murada de Jerusalém." (https://www.chabad.org/library/article_cdo/aid/4440323/jewish/Korbanot-The-Biblical-Temple-Sacrifices.htm)


Challah era uma parte da massa de pão que todos os judeus e judias que faziam pão, deveriam separar a fim de entregar aos kohanim, e essa parte lhes servia de alimento. 

 

Obs.: quando cito 'kohanim', me refiro na maioria das vezes aos kohanim e suas famílias. 

 

 


EXISTE MAASER AGRÍCOLA NO SÉCULO 21?
Em Israel nos dias de hoje, “O procedimento de separar terumá e maaser geralmente é realizado pelos agricultores sob supervisão rabínica; portanto, procure uma certificação casher (hechsher) ao comprar produtos (frutos e vegetais) israelenses.” Judeus religiosos que moram em Israel observam de onde compram seus produtos agrícolas…se tiverem 100% de certeza que os produtos vem de fazendas que separam maaser e terumá, então não há nada mais a ser feito. Mas caso tenham dúvida se o produto vem de um produtor que respeita essas leis, há judeus que separam maaser e terumá em seus próprios lares dos produtos que compram. 

 

Não, eu não sei fazer isso e nunca sequer pesquisei a fundo. Se um dia eu me mudar para Israel, procurarei aprender mais sobre isso. Enquanto moro na Diáspora, só me cabe observar se os produtos agrícolas importados de Israel possuem uma hechsher (selo de supervisão de uma agência de cashrut).  

 

 


SE MAASER ERAM FRUTAS E VEGETAIS, DE ONDE VEIO A IDÉIA DO DÍZIMO EM DINHEIRO?

 

MAASER KESAFIM - dízimo em dinheiro

 

Já que produtos agrícolas colhidos FORA de Israel não estavam sujeitos a maaser, um dízimo de ganhos monetários para quem vivia na diáspora ERA e ainda É um tema para debate.

 

“Outros vêem o maaser kesafim como parte da mitzvá geral da tsedacá, ou caridade.Dar um décimo é uma medida comum; dar menos reflete mesquinharia.De acordo com todas as opiniões, no entanto, todos devem dar pelo menos uma pequena porção de dinheiro que ganham anualmente à tsedacá” (https://www.chabad.org/library/article_cdo/aid/4266406/jewish/Maaser-Tithing-in-Torah-and-Jewish-Law.htm#footnote4a4266406)

 

 


ENTÃO, O QUE JUDEUS FAZEM NOS DIAS ATUAIS?
Hoje em dia judeus religiosos que moram tanto em Israel quanto na Diáspora respeitam o conceito de maaser kesafim e DOAM um mínimo de 10% de sua renda anual para instituições de caridade ou indivíduos que precisam de ajuda. Essa quantia é GERALMENTE separada quando estamos próximos de Rosh Hashana e a chamamos somente de 'maaser'. Todas as vezes que você ouvir algum(a) judeu(ia) falando "esse ano tenho que calcular o dinheiro de maaser", saiba que ele(a) está se referindo aos 10% de tzedakah.

 

Ao mesmo tempo que damos maaser perto de Rosh Hashaná, DURANTE O ANO, também damos tzedakah ESPONTÂNEA, que são ajudas a indivíduos, causas ou organizações judaicas, com valor indeterminado. Essa TZEDAKÁ dada durante o ano não possui um valor definido e não está sujeita a cálculos de valor.

 

 

JUDEUS: DOADORES NATOS

Sim, judeus são doadores natos.

Em resumo, hoje em dia funciona assim:

 

1. doamos diariamente um valor (nem que seja uma moeda de 1 centavo) antes de nossas rezas matutinas, que é para nos acostumarmos a sermos doadores e ensinamos as crianças a fazer o mesmo

 

2. mulheres doam um valor (nem que seja uma moeda de 1 centavo) antes de acender velas de Shabat

 

3. fazemos doações voluntárias durante o ano a fim de ajudar indivíduos, causas ou instituições judaicas

 

4. doações espontâneas não precisam ser só em dinheiro, podemos doar tempo, alimentos, serviços, conhecimento etc. Ser judeu é saber dividir 

 

5. depois de descontados todos os impostos, a maioria absoluta dos judeus tementes a Deus separam 10% de seu ganho anual (maaser), e doam este valor para obras assistenciais, indivíduos, causas etc.

 

É proibido que o judeu que dê 10% de sua renda como maaser usufrua qualquer benefício desta doação. 

 

 

 

MAASER DESDE A INFÂNCIA
No Judaísmo, até mesmo crianças de famílias que observam a mitzva de maaser financeiro (doar 10% dos ganhos para caridade) são ensinadas a separar 10% de qualquer mesada ou presente em dinheiro que venham a receber. Se uma criança ganha $10, os pais a ensinam a separar $1 para tzedaka.

 

 


E A SINAGOGA? COBRA DÍZIMO?
Não. 

 

Como disse acima, judeus que dão maaser (10% de seus ganhos para caridade) não podem usufruir de vantagens ou compra de serviços. 

 

Sinagogas NÃO cobram dízimo. Se você leu meu post sobre o lado administrativo de uma sinagoga, você verá que sinagogas cobram TAXAS DE ANUIDADE DE MEMBROS (é isso mesmo, depois de tzedaká e maaser, temos que pagar pela anuidade da sinagoga, e eu nem vou descrever os eventos de arrecadação de fundos para sustentar nossas organizações etc)… e tal taxa não pode ser paga com dinheiro de maaser, porque seria como se o dinheiro estivesse sendo usado para comprar uma anuidade…comprar um serviço… e não é assim que funciona. O maaser é uma coisa… e o dinheiro para pagar a anuidade da sinagoga é outra coisa.

 

 

 

E SE O JUDEU NÃO PUDER PAGAR A ANUIDADE DA SINAGOGA?
Leia meu post sobre vida administrativa de uma sinagoga para saber o que acontece: https://www.vidapraticajudaica.com/#!O-Lado-Administrativo-de-uma-Sinagoga/c1sbz/55e8f6f30cf29a3653c081ad

  

 


MAASER PARA ISRAEL OU PARA A DIÁSPORA?
Judeus e judias que dão maaser monetário (10% da renda anual) são totalmente livres para escolher as instituições judaicas ou pessoas judias que desejam ajudar, sejam elas em Israel ou de outros países. É certo que judeus do mundo todo devem ajudar economicamente a nossos irmãos e irmãs israelenses, mas nada nos proíbe de ajudar instituições em outros países, sejam onde moramos ou não.

 

 

 

TZEDAKÁ E MAASER PARA JUDEUS OU NÃO JUDEUS?
A prioridade é ajudarnos uns aos outros dentro da comunidade judaica.

 

Quem está familiarizado com a história do povo judeu, sabe que não temos o luxo de dependermos de outros povos. Desta maneira, se há entre nós judeus que precisam de ajuda, cabe a nós, judeus, ajudá-lo.

 

Milhares de judeus vivem abaixo da linha da pobreza (13% da população judaica israelense vive na linha da pobreza https://www.jpost.com/Israel-News/More-than-one-quarter-of-Israelis-poor-or-nearly-poor-Report-583356 e dezenas de milhares de judeus no mundo todo vivem abaixo da linha da pobreza). 

 

Há judeus que precisam de ajudas emergenciais (saúde, educação etc) em vários países e somos responsáveis por eles, assim como somos responsáveis por instituições judaicas.

 

Somos aproximadamente 14 milhões de judeus no mundo (há quem diga 17 milhões) e dependemos uns dos outros para viver.

 

Sendo assim, a maioria dos judeus focam em doar a maior parte de seu maaser e tzedaká para a comunidade judaica.

 

Porém, de forma alguma podemos fechar os olhos para as crises que ocorrem fora da comunidade judaica e se alguém se sente movido a ajudar algum indivíduo ou causa não ligada a comunidade judaica, tal pessoa é livre para fazê-lo.

 

Porém, o dinheiro de maaser realmente deve ser focado para ajudar nossos irmãos e irmãs da comunidade judaica mundial. Causas é o que não faltam no mundo judaico…eu até deixo uma organização aqui, a Efrat CRIB, que ajuda a salvar bebês de serem abortados. Como vocês sabem, infelizmente o aborto é legalizado pelo governo israelense, e isso leva muitas mulheres que enfrentam problemas financeiros ou emocionais a decidirem pelo aborto. A Efrat CRIB informa tais mulheres sobre as consequências desta escolha e oferece ajuda financeira para que ela tenha seu filho. Até hoje eles salvaram 73.085 bebês. Pra mim, é um número impressionante. 73.085 pessoas existem hoje, falam, andam, opiniam e contribuem para a sociedade isralense devido a essa organização: https://www.efrat.info/english/ 

 

 

MINHA EXPERIÊNCIA PESSOAL
Maridex e eu temos uma lista de instituições de caridade. Então todos os anos, algumas semanas antes de Rosh Hashana, nós revemos a lista cuidadosamente para ver se queremos fazer alguma alteração, adicionando ou retirando nomes. 

 

Depois de analizar a lista e decidir quem fica, dividimos a quantidade total de nosso maaser entre as instituições. Cada uma recebe um valor específico, umas mais e outras menos.

 

As vezes, dependendo da situação, incluímos nomes de indivíduos que precisam de uma ajuda monetária e entregamo-lhes parte do nosso maaser.

 

Não há nenhuma regra em como dividir o que será doado, a única coisa a manter em mente é que não podemos usar o dinheiro de maaser para adquirir vantagens ou comprar algo. Por exemplo, pode-se enviar um cheque de R$10 a uma organização e um de R$100 para outra, é o doador que decide o valor a ser doado. 

 

 

 

PODE-SE USAR O DINHEIRO DE MAASER PARA UMA EMERGÊNCIA?
Essa é uma questão que assola muitas famílias judias todos os anos. Chegou a época de doar o maaser e de repente, o inesperado acontece: um membro da família fica doente e precisa de um remédio muito caro, a escola dos filhos aumentou a mensalidade repentinamente o marido ou esposa perdem seu emprego e o dinheiro que tinham separado para maaser pode ser a diferença entre colocar comida a mesa ou não… enfim… muitas coisas podem acontecer durante o ano… e nesses casos, judeus que são pegos de surpresa por alguma situação da vida, devem ligar para seus rabinos e explicar o que está acontecendo a fim de ouvir como proceder. NÃO USE INTERMEDIÁRIOS OU ESPECIALISTAS EM ACHISMO, CONVERSE DIRETAMENTE COM SEU RABINO.

 


 

E QUANTO A NÃO JUDEUS? PODEM DIZIMAR? 
Pois é… ESSE é o motivo pelo qual fiz este post. Não vou reinventar a roda ou cobrir o sol com a peneira, a verdade é que TODOS sabemos que a maioria das pessoas que consultam sites judaicos no Brasil não são judias. Infelizmente uma boa parte desse pessoal acaba sendo enganada ou manipulada... 

 

Pessoas não judias estão mais propensas a serem manipuladas a entregarem parte de sua renda mensal a líderes religiosos ganaciosos e/ou mentirosos. 

 

Se você, leitor(a), faz parte de alguma igreja evangélica que requer um dízimo, fica a seu critério entregá-lo ou não. Por parte da Torá, você não tem obrigação nenhuma. Qualquer oferta que você entregar a sua instituição religiosa, é de sua livre escolha e disponibilidade.

 

Já vejo alguns protestantes pensando: “Mas e sobre o que está escrito em Malaquias 3:10? Que Deus até mesmo pede para ser testado?” E eu respondo: a oferta descrita neste trecho bíblico se refere ao maaser agrícola da terra de Israel e não a dinheiro. Há uma minoria de rabinos que dizem que desde a destruição do Templo, tal trecho se extende a maaser monetário, mas… isso é um assunto para debate, nada foi definido.  

 

 

 

E QUANTO A PSEUDO-JUDEUS QUE PEDEM DÍZIMOS A NÃO JUDEUS?
Esses safados mentirosos de uma figa deveriam ir para o gehinom imediatamente por cometer tamanha transgressão.

 

Em hipótese NENHUMA alguém pode pedir dinheiro de “dízimo” a pessoas não judias em nome do povo judeu. Isso é totalmente uma heresia. Totalmente inaceitável. Uma loucura que só acontece no Brasil. 

Se alguém se diz judeu e está te pedindo “dízimo”, caia fora, você está sendo vítima de EXTORSÃO.

 

 

 

E QUAL A RECOMPENSA DE AJUDAR AO PRÓXIMO?
O Talmud ensina que pessoas que doam tzedaka recebem recompensas divinas (Taanit 9a). Dividir o que recebemos com quem precisa traz bênçãos, nos ajuda a desenvolver amor ao próximo e a crescer espiritualmente. 

 

 

"Dinheiro do qual nenhuma tzedaka foi dada, fede como carne que não foi salgada." - Rebbe Nanhum de Chernobyl 

 

No processo de casherização de carne, o sal é usado para retirar o sangue, cujo consumo é proibido pela lei judaica. 

 

 

 

 

 

Kol tov,

 

 

Esther

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