Por que Quando o Nissaion Bate a Porta a Emunah Sai Pela Janela?


Escrito por: Rabanit Rivkah Bennun



Nissaion: dificuldade

Emunah: fé




Recentemente li uma matéria em um jornal com o seguinte titulo: “Cresce o número de pessoas sem religião, dizem especialistas”. http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/02/cresce-numero-de-pessoas-sem-religiao-dizem-especialistas-do-rs.html


“Não ter uma religião não significa a perda da fé. De acordo com o antropólogo Rodrigo Toniol, a crença no sagrado existe, mas não

precisa de mediadores. Ela está dentro de cada um na forma de energia e espiritualidade.”

“Quem se declara como sem religião é, sobretudo, jovem, com idade média de 26 anos. Eles não rejeitam valores religiosos, mas sim a

institucionalidade ou até mesmo a mediação de sacerdotes ou de um local de reuniões, por exemplo”, diz o estudioso.


Trazendo para o lado de cá, o lado do Judaísmo, porque pelo que vejo, essa não é uma crise unilateral, todas as religiões, pelo visto, estão passando pela mesma crise de falta de fé, descrença e até mesmo

descaso.


Há uns bons anos atrás, em Israel, ainda ouvi uma Rabanit citar uma vez em sua aula que tinha uma pesquisa sendo realizada na

Universidade Bar-Ilan que procurava entender o motivo pelo qual as pessoas largam a religiosidade. No caso ela citou mais especificamente pessoas que buscavam a conversão ao Judaísmo,que um dia tiveram

uma fé inabalável e estavam dispostas a tudo e meses após a conversão, decidiram largar tudo.


Busquei a pesquisa mas não a encontrei, se alguém souber de algum link para a mesma, gostaria de lê-la novamente.


Pessoalmente eu não preciso de pesquisa para saber se esse fenômeno realmente tem acontecido com frequência.


Eu tenho acompanhado casos e casos de famílias, moças e rapazes que infelizmente largaram tudo que tinham construído dentro da religião judaica, seja por conversão ou pelo processo de teshuvá.


Porém caro leitor, o intuito deste artigo não é julgar ninguém. Absolutamente! O intuito é de fato, tentar entender o que acontece de

tão grave, para a pessoa largar tudo!


De repente kashrut, tzniut, Shabat, chaguim, jejuns públicos, pureza familiar se tornam tão insignificantes a ponto de serem esquecidos e banalizados.


Por que? O que foi que deu errado? Por que de repente nada faz sentido?


Para entendermos, precisamos analisar o conceito de Emunah (fé).


Estamos acostumados a pensar na fé como uma estratégia para pessoas que não podem pensar por si mesmas. "O tolo acredita em

tudo", escreve Shlomo HaMelech (O Rei Salomão), "o sábio entende."


Emunah,no entanto, é uma convicção inata, uma percepção da verdade que transcende, em vez de fugir da razão. É uito pelo contrário a furgir da razão; a sabedoria, a compreensão e o conhecimento podem melhorar ainda

mais a verdadeira emunah.


No entanto, emunah não se baseia na razão. A razão nunca pode alcançar a certeza de emunah, uma vez que, razoavelmente falando,

um raciocínio maior pode sempre aparecer e provar que suas razões estão erradas.


Desta forma, emunah é semelhante a ver as coisas em primeira mão: A razão pode ajudá-lo a entender melhor o que você vê, mas terá

dificuldade em convencê-lo de que você nunca viu. Assim também, a emunah resiste até mesmo onde a razão não pode alcançar. A razão pode mostrar 'Ok não vai dar certo', mas a Emunah não se prende a limites! Ela vai além da razão.


Quando a pessoa se propõe a entrar para o povo de Israel ou quando ela decide se reconectar com suas raízes, ela vem cheia de

emunah! Cheia de vontade, disposta a cumprir as mitzvot com alegria e vigor!


Mas, de repente alguma coisa acontece e logo após um tempo essa emunah esfria, decepções aparecem, as dificuldades para cumprir as mitzvot são muitas, não há sinagogas, não há comida kasher, não há escolas pros filhos, não há moças e rapazes judeus para se casarem, a

reza já não faz mais sentido, o calor é maior que a vontade de se vestir com recato, os cabelos já não querem mas ser cobertos, não há possibilidade de ir para Israel, não há, não há… e aí… não há!


Mais uma vez, eu gostaria de ressaltar, que o intuito aqui NÃO É o de julgar! Mas quem sabe de trazer um pouco de esperança aos corações que se encontram nessa situação de 'não há'!


A primeira coisa que quem quer que esteja passando por isso deve saber é que existem outras pessoas passando pelo mesmo! Líderes

religiosos, pessoas famosas, anônimas, não importa se em Israel ou na China. Tem alguém que também está ponderando se vale a pena largar tudo e sair por aí!


O que eu te pergunto e me pergunto é: sua vida vai melhorar? argar tudo e ir viver a vida intensamente, sair por aí, comer sem restrições, deixar o sábado! Afinal sábado é um dia tão legal! Você vai percorrer o mundo todo, fazer tudo o que quiser, mas saiba com toda a certeza de seu coração e mente, quando você passar por todos os desejos carnais que você acha que vale a pena, você vai se deparar um dia sozinho(a) pensando que falta algo! “Mas tudo isso não me completou! Minha alma está vazia e amarga! O que eu vou fazer agora? Se com H” estava ruim, sem H” fica muito, mas muito pior!


A segunda coisa que talvez a pessoa que está passando por isso tenha que fazer é parar e se perguntar: onde está meu amor por H”? Onde foi parar a vontade louca de cumprir as mitzvot, de refinar minhas midot (comportamento) e de me aproximar de H”? O que aconteceu na minha vida para que eu simplesmente deixasse de crer que H” cuida de tudo? Será que eu preferi confiar em mim mesmo? Sera que eu achei melhor casar com um não judeu do que ficar sem ninguém? A comida kasher é cara!

Melhor trabalhar no sábado, pois é o melhor dia para ganhar dinheiro? Para que guardar a pureza da família? Dá muito trabalho! Etc, etc, etc.


Não importa qual foi o motivo que te afastou de H”, ainda há tempo de voltar seus olhos para Ele e pedir por socorro!


Em seguida, a pessoa deve saber que sua fé tem que estar conectada em H” e nada mais! "Mas é muito difícil! As dificuldades são muito grandes! Eu não tenho força!" Tá bem, mas essa dificuldade é tão grande assim que você está disposto(a) a por sua vida com D’us em

jogo? Seu Olam Haba? Afinal, nós estamos aqui somente de passagem!


Dessa vida não levaremos nada! NADA! A NÃO SER NOSSAS MITZVOT E ATOS DE BONDADE! Não estamos falando aqui para você virar um ultra religioso, fanático! Estamos falando do básico! Do essencial! Emunah em D’us, de Ele está no controle de tudo, de que por mais que a situação pareça adversa Ele sabe o que é melhor para mim nesse momento!


"Ah mas como vou ter emunah, passando por tudo isso? Nada dá certo pra mim! H’ me abandonou! Estou só e com raiva de tudo e todos, inclusive Dele!"


Na teologia judaica, a providência divina significa que D’us não só sabe o que está acontecendo aqui embaixo, mas está empenhado em supervisioná-la também. Em hebraico, o termo é hashgacha Elokit.


Quando se fala em supervisão detalhada, o termo é hashgacha pratit.


A providência divina implica uma espécie de interação entre Criador e criação, pela qual cada um responde e interage com o outro.


Uma forma da palavra aparece pela primeira vez no livro de Salmos:"De seu lugar de moradia , Ele supervisiona todos os habitantes da terra."


A noção de providência divina é uma distinção fundamental entre a fé judaica e crenças pagãs.


O pagão geralmente também acredita em

uma divindade suprema, no entanto, ele crê que a divindade é considerada muito suprema e exaltada para se inclinar para a supervisão deste mundo humilde. Filósofos pagãos como Aristóteles consideravam a sabedoria de D’us estar engajada apenas nos mundos ideais e

atemporais além dos nossos.


Já as narrativas da Torá e sua declaração de que o único D’us supremo é o D’us sobre todas as forças da natureza, coloca-o em confronto direto com essa forma de pensar.


A fé na providência do Criador fornece a base para o bitachon (confiança). Apenas através de sua crença em Sua providência você pode se a um nível em que D’us está intimamente envolvido em sua vida, de uma maneira aberta e benéfica.


Aquele que acredita em hashgacha pratit encontra D’us em tudo o que vê e ouve. Cada faceta da vida se torna mais uma oportunidade de se conectar com o Infinito, e assim outra causa de celebração.


Queridos e queridas, eu sinceramente espero que você consiga ver o cuidado de H” em sua vida, mesmo que a circunstância esteja

mostrando o contrário! Busque ajuda! Seja forte! Não jogue a toalha!


Você lutou tanto para conseguir se aproximar de H”. Toda vez que estiver passando por dificuldades, lembre-se do que está escrito no livro de Salmos capítulo 139:8-10: “Como poderia fugir da tua presença?

Se aos céus eu acendesse, lá Te encontraria, e se as profundezas

me lançasse, também lá estarias. Se com as asas da aurora eu me

puser a voar, e se aos confins dos mares eu me dirigir, Tua mão me

continuará a conduzir e Tua destra a me sustentar”.


Não podemos fugir de H”, muito pelo contrário!


Precisamos nos aproximar a Ele, pois Dele sairá nossa salvação! Não deixe satan (yetzer hara, má inclinação) te enganar, com o pensamento de que a vida será mais fácil sem H”, isso não é verdade! Pode ser nos primeiros instantes, mas após algum tempo você vai ver que cometeu um grande erro ao deixar de crer!



Para elevação da alma de Hugo Leonardo ben Chava, meu amado irmão!



Rabanit Rivkah Bennun


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